
Vai se fantasiar neste carnaval? O carnaval é um espetáculo. Indiscutivelmente uma festa que passa por nossa cultura, nossa alegria, nossa maneira de viver. O carnaval é a nossa Las Vegas, é uma Disneylândia de gente grande com roupa pequena, bem tropicalizada. É o momento em que tudo é alegria, tudo é mágico e tudo tem brilho, luz e vida. Mas o carnaval atende, e bem, a uma repetida, antiga e ainda, eficiente prática: a de distrair a todos sobre o que realmente está a nossa volta. Roma sempre usou o pão e o circo para manter os súditos dos Césares distraídos e felizes, e sua eficácia é indiscutível, pois só isso explica que dois mil anos depois o estado permaneça incompetente, ausente em tantas áreas básicas e obrigatórias, mas sempre com verbas disponíveis para o carnaval, e outras lonas e luzes. Milhares de prefeituras têm suas escolas e saúde, o mais básico serviço de todos, absolutamente abaixo do nível mínimo aceitável, mas têm em suas festas momentos de riqueza e esplendor. É uma grande distração para o contribuinte ou como prefiro pensar: consumidor. O estado trata seu consumidor como pais irresponsáveis fazem com seus filhos, com filhos sem futuro. Enchem, a cada um de nós, de balas e biscoitos, nos deixam pendurados no celular, dormir tarde e não nos obriga a estudar. Somos consumidores que recebemos apenas o que faz de hoje um dia básico, mas nada que permita que o amanhã possa ser melhor. Nesta política de pão e circo, o carnaval se traveste de picadeiro, e ao terminar nosso momento de foliões nos vestimos novamente de palhaços, mais precisamente em Pierrôs: pobres, choramingando, vestido por sacos de farinha e vítima das piadas. Que se entenda, folião é a nossa fantasia em todo carnaval, porque somos o resto do ano Pierrôs, sem colombina, traídos por arlequins no melhor estilo da Commedia dellArte, mas não aquela marcada pelos improvisos, mas por gestores municipais bem ensaiados e quase sempre mal intencionados. Nesta política superficial focada em distrair quem não critica, e iludir quem tem bom senso, nosso mercado de consumo retrai, o empreendedor perde, o planejamento sofre e o futuro samba, literalmente. De sexta-feira a quarta-feira o Brasil que produz para. O Brasil que sonha, dorme acordado e o Brasil que consome acordará mais pobre, menos consumidor e menos capaz de alcançar seu futuro. A pandemia está adiando o carnaval, mas a realidade deste samba não muda. Há quem use inclusive a pandemia para sambar na nossa cara. O pão e o circo vão rolar, seja mais mês menos mês, vai rolar, mas quem se importa de verdade, esta semana tem circo, somos todos palhaços e é carnaval! Até a próxima semana! ROBERTO MENDES é casado, pai de um garoto sensacional, mestre em Administração de Empresas pela Universidade Autônoma de Lisboa, Publicitário, especialista em Marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC do Rio de Janeiro, pós-graduado em Engenharia Ambiental, é professor do MBA da UFRJ e da Estácio, Consultor de Empresas, e sócio da TargetComunica, agência de marketing On e Off Line na região Serrana/RJ.