
A IA é Primitiva. E Nós Também Depois de uma semana intensa de eventos, inovação e tecnologia no Rio de Janeiro, uma entrevista inesperada me levou para um território muito além da tecnologia. Ao encontrar o Pajé, fui atravessada por uma pergunta simples: “Por que você deveria dar sua entrevista para mim?” A partir desse encontro, tecnologia, ancestralidade, oralidade, corpo, natureza e inteligência artificial passaram a ocupar o mesmo espaço de reflexão. O Pajé carrega uma linguagem que antecede as interfaces digitais: marcas de urucum na pele, elementos naturais, memória, oralidade e conhecimento transmitido pela experiência. Uma linguagem materializada no corpo. E isso me levou diretamente àquilo que venho pesquisando: Qualia-Centered AI e Human Experience Intelligence — HXI. Se a inteligência artificial consegue processar, reconhecer padrões, gerar imagens, produzir textos e simular conversas, ainda existe uma pergunta fundamental: onde está a experiência? É nesse espaço que nasce a Tecnologia Afetiva em Contexto. Neste episódio, também apresento o conceito de Bárbaros Tecnológicos: pessoas que atravessam a tecnologia antes que a própria linguagem técnica consiga definir completamente o que está acontecendo. Não somos apenas consumidores da tecnologia. Estamos participando da sua evolução. E os modelos de IA também são primitivos. Não porque sejam ruins, mas porque ainda estão no início de uma transformação que também está transformando a nós mesmos. É nesse território que entra o Protocolo MTA — Mapear, Traduzir e Agir: uma proposta de alfabetização digital que não pretende transformar todo mundo em especialista, mas criar autonomia para que qualquer pessoa possa compreender, questionar e participar da construção do futuro. Entre o ancestral e o digital, entre o corpo e a máquina, entre o sentir e o processar, uma pergunta permanece: como podemos transmitir aquilo que sabemos sem perder aquilo que sentimos? E uma frase atravessa todo este episódio: “Jogue as cascas para a IA e a semente para os humanos.” A máquina pode carregar o processamento. Mas a semente — aquilo que possui significado, experiência, vínculo e possibilidade de transformação — precisa continuar sendo humana. Tecnologia Afetiva em Contexto. Porque a tecnologia pode evoluir. Mas o futuro ainda precisa ser nosso.