
Estudo do canal Teodidatas sobre o Salmo 85, intitulado "a justiça e a paz se beijarão". Assista também: Salmo 80: "O salmo do rebanho e da videira; o salmo do avivamento" Esboço: 1. O favor e o perdão do Senhor no passado (1-3) 2. O pedido para que o Senhor seja favorável mais uma vez, restaurando o seu povo (4-7) 3. A promessa do Senhor: paz, salvação e manifestação da sua glória (8-9) 4. Conclusão: os encontros do amor com a fidelidade e da justiça com a paz (10-13) Verso-chave: 4. Texto: Para o mestre de música. Salmo dos coraítas. 1Foste favorável à tua terra, ó Senhor; trouxeste restauração a Jacó. 2Perdoaste a culpa do teu povo e cobriste todos os seus pecados. Pausa 3Retiraste todo o teu furor e te afastaste da tua ira tremenda. 4Restaura‑nos mais uma vez, ó Deus, nosso Salvador, e desfaz o teu furor para conosco. 5Ficarás indignado conosco para sempre? Prolongarás a tua ira por todas as gerações? 6Acaso não nos renovarás a vida, a fim de que o teu povo se alegre em ti? 7Mostra‑nos o teu amor leal, ó Senhor, e concede‑nos a tua salvação! 8Eu ouvirei o que Deus, o Senhor, disse; ele promete paz ao seu povo, aos seus fiéis! Não voltem eles à insensatez! 9Perto está a salvação que ele trará aos que o temem, e a sua glória habitará na nossa terra. 10O amor e a fidelidade se encontrarão; a justiça e a paz se beijarão. 11A fidelidade brotará da terra, e a justiça olhará dos céus. 12Sim, o Senhor nos trará bênçãos, e a nossa terra dará a sua colheita. 13A justiça irá adiante dele e preparará o caminho para os seus passos. Reflexão: 1. Se há algo que a história bíblica atesta sem sombra de dúvidas é que Deus é misericordioso e gracioso. 2. Durante um período de aridez, o salmista relembra essas características do Senhor e clama por um novo agir. 3. O v. 12 dá uma pista de que um período de seca pode ter sido o que motivou a composição do Salmo 85. Há quem imagine, no entanto, um período de opressão político-militar. Calvino, por exemplo, sugere que o salmista tenha em mente a memória do agir de Deus após o cativeiro babilônico, durante o período de dominação grega sobre Judá. Se essa especulação estiver certa, o Salmo 85 teria sido composto no século 2 a.C., previamente à revolta dos Macabeus. 4. Mas isso, na verdade, não é o mais importante. O que realmente importa é que este salmo repete um padrão encontrado também em muitos outros: baseado no conhecimento de que Deus já agiu em favor de seu povo no passado, o salmista clama por nova intervenção da parte de Deus e está certo de que o Senhor responderá. 5. O encontro do amor com a fidelidade, o beijo da paz com a justiça, na parte final (v. 10), constitui uma das passagens mais apreciadas deste Salmo, que, assim como o 80, é muito utilizado por quem clama, em qualquer época da história, por um avivamento divino. 6. No verso seguinte (v. 11), há mais uma imagem sugestiva, indicando a justiça divina descendo do céu em resposta à fidelidade humana brotando da terra. O contexto das bênçãos e maldições deuteronômicas sempre esteve presente na mente de todo israelita fiel, e com o autor do Salmo 85 não foi diferente. Ele sabe que a manifestação da glória de Deus depende do arrependimento do povo, ao mesmo tempo que esse arrependimento só é possível por causa da paciência e do favor divinos. 7. Diante disso tudo, ainda que não haja qualquer referência messiânica direta, parece ser inevitável ler o Salmo 85 e lembrar que a justiça divina de fato desceu dos céus não na forma de uma chuva, mas encarnada na pessoa de Jesus. É a manifestação definitiva do amor e da graça de Deus na cruz de Cristo que possibilita que nos arrependamos e encontremos a verdadeira restauração e o verdadeiro avivamento que o Salmo 85 prenuncia.