
Na segunda parte da conversa sobre Elizabeth Bishop, nos aprofundamos em alguns aspectos de seu trabalho. Como a própria poeta, seus bichos são fugitivos, esquisitos e inadequados, em busca de outro lugar, funcionando também como mensageiros de um convite para um mundo misterioso e desconhecido. A inadequação de seus animais é a mesma que a poeta experimentava; Bishop se dizia alérgica ao mundo, um estranhamento crônico que era explicado como sendo um feminismo próprio. Conservadora, marcada pela vivência do armário, a poeta se recusava a participar de antologias exclusiva de mulheres e de se posicionar de uma forma mais clara sobre sua sexualidade e posição política. Contraditoriamente, Elizabeth Bishop foi também precursora em muitas coisas. Suas aventuras e viagens, por exemplo, eram atividades inacessíveis para a maioria das mulheres de seu extrato social. Finalmente, fechando a conversa, pensamos porque é importante conhecer o trabalho da escritora, apresentando algumas dicas de livros e filmes de onde começar. Dois livros em inglês foram citados nesse episódio. A biografia “Elizabeth Bishop: Life and the memory of it”, escrita por B. C. Millier (1993), e “Remembering Elizabeth Bishop: an oral biography”, conjunto de relatos sobre a vida da poeta, organizada por Gary Fountain e Peter Brazeau.