
Podcast criado a partir de um IGTV no meu instagram Petit_oiseauu Beauvoir nos disse que "O opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos" . A dialética Senhor e Escravo discutida pelo Hegel e que foi tão utilizada por outros pensadores já evidenciava a dinâmica dessa violência simbólica. O Senhor só é senhor porque é enxergado enquanto tal. Em casa relação de opressão o Senhor precisa de uma series de atributos que o coloque enquanto autoridade de algo para que seja visto enquanto Senhor. Mulheres desde a infância são socializadas para confiar demasiadamente no Outro pq aprendem que são frágeis demais para confrontar a realidade. Mulheres não eram vistas enquanto seres racionais porque eram muito sentimentais e, por isso, precisavam de alguém para pensar por elas. Nos habituamos a ser seres que sentem insegurança em pensar por conta própria. Fomos também socializadas para sermos sempre boazinhas e nunca desagradar. Mas a arte do questionamento é fundamentalmente a arte do desagradar. Como podemos questionar a realidade e tentar mudá-la se tememos causar desconforto no outro? Acreditamos que a nossa entrada na vida pública e o acesso à educação formal ( conquista recente, inclusive) nos garantiu a autonomia intelectual. Mas, infelizmente, não serão os livros que irão nos libertar se não formos capazes de confiar no nosso próprio potencial de questionar aquilo que se vê, que se lê e que sente. A confiança em si e na própria autonomia intelectual só é possível quando somos capazes de nos afirmar e confrontar a realidade. Para muito além da quantidade de coisas que lemos, comos somos capazes de mobilizar o conhecimento seja teórico ou prático para duvidar, questionar e se rebelar? Sem autonomia intelectual não há libertação, e não podemos questionar a realidade se não abrimos mão das nossas idealizações, seja do mundo ou seja a respeito do outro. Ei, mulher, não tema pensar por conta própria você é capaz de se cuidar de si sozinha