
Há um desejo no coração de Deus em ver Seus filhos curados e libertos. Quando nos submetemos ao processo de libertação, precisamos estar convictos de que Ele trará consigo um conserto em nossos relacionamentos, pois uma das principais causas dos nossos traumas e feridas são relacionamentos doentes que desenvolvemos ao longo da vida. As feridas relacionais têm o poder de nos bloquear em diversas áreas, porém encontramos a cura delas quando permitimos que o ministério de reconciliação estabelecido por Jesus invada nosso coração. Ao nos depararmos com o sacrifício de Cristo na cruz, compreendemos que, naquele instante, Deus estava perdoando os nossos pecados e nos reconciliando consigo, a fim de nos levar ao entendimento sobre a urgência da reconciliação (2 Co 5:17-18). Quando fazemos uma análise da cruz, percebemos que ela revela dois níveis de reconciliação: a reconciliação do homem com Deus e a reconciliação do homem com o homem, significando que não adianta apenas nos relacionarmos com o Pai, precisamos também desenvolver uma comunhão e uma unidade com as pessoas ao nosso redor. Isso só se tornará possível quando aceitamos trilhar o caminho do perdão e da humilhação. O pecado retirou de nós a sensibilidade e a humildade de reconhecermos nossos erros, desencadeando uma série de conflitos relacionais e, criando em nós, a tendência de sempre procurarmos culpados pelos nossos traumas e mazelas. Em vários momentos, encontramo-nos com dificuldade de resolver nossos conflitos interpessoais por causa dos nossos sentimentos de vanglória, orgulho e altivez (Fp 2:3), sendo diariamente tentados a vestir as vestes de acusação que prejudicam ainda mais o nosso relacionamento, seja conjugal, fraternal e paternal. Em Gênesis 4:1-16 é narrado um conflito entre dois irmãos, Caim e Abel. Esse texto mostra que Deus, antes do oferecimento da oferta de Caim, sondou o coração dele e observou a desordem de suas emoções, que foi causada pela inveja e pelo ressentimento. Esses males da alma de Caim fizeram com que o Criador desprezasse a oferta dele e recebesse a de Abel, pois esse tinha o coração puro e íntegro. Conosco não é diferente, Deus costuma criar situações para que sejamos provados e possamos ver o real estado dos nossos corações, permitindo que isso aconteça, não para nos envergonhar, mas para sermos convencidos das nossas más intenções, pois somente através do reconhecimento Ele poderá tratar nossas feridas. Portanto, a vontade de Deus é que sejamos libertos e curados em nossas relações, para qual precisamos nos predispor e abrirmos nossos corações para recebermos o amor curador e remidor de Jesus (Jo 3:16), que nos lava de dentro para fora. Somente assim, conseguiremos suportar as imperfeições do nosso próximo e desenvolver sobre ele o mesmo olhar de misericórdia que Cristo teve para conosco. Precisamos diariamente vencer nossa natureza carnal e procurar nos manter dependentes da graça de Deus que conduzirá nossas vidas a um lugar de paz e comunhão com todos.