
Douglas Alexandre Santos Silva conviveu e pedalou por seis meses com entregadores de São Paulo e descobriu como a busca por autonomia e a disposição desses jovens de baixa renda ao risco gera lucros para as plataformas de delivery, replicando e ampliando um modelo de exploração que historicamente foi moldado sobre o trabalho feminino, em especial o das revendedoras de cosméticos. Ao mesmo tempo, talvez sejam uma das únicas alternativas de geração de renda com relativa autonomia, para uma parte da sociedade pra qual nada é oferecido. Ao Trip FM, o pesquisador da USP fala de masculinidade e da rotina dolorosa de quem está cansado dos poucos empregos formais disponíveis para eles, na maioria das vezes precários e com remunerações insuficientes para uma vida minimamente digna