
“Os psicopatas têm um gosto pela crueldade, não têm sentimentos sociais como culpa, vergonha, às vezes nojo também não. Têm uma racionalidade extremamente egoísta e manipulativa. Não medem consequências muitas vezes. Principalmente não respeitam a lei. Identificam a si mesmos como autores da lei. Têm esse apossamento. É o pior diagnóstico para uma personalidade antissocial. Eu acho que não [que Bolsonaro não é psicopata]. Ele sofre de uma coisa muito menos espetaculosa, menos fulgurante. Tem traços de perversão, óbvio, mas tem uma limitação cognitiva e relacional. É o que o [Jacques] Lacan chamaria de um canalha, um canalha no sentido clínico do termo”. É o que afirma o psicanalista Christian Dunker a Eleonora e Rodolfo, do TUTAMÉIA. E o que é um canalha no sentido clínico? “É aquela pessoa muito pequena do ponto de vista da capacidade de raciocínio e que justamente a gente não aceita para análise porque, quando você aceita, o que sai é um bobo. Uma pessoa tola. Isso está presente nele. Uma limitação muito grave. Não me parece uma psicopatia porque ele tem dentro dessa pequenez um apego mórbido com os filhos e com a família. Psicopatas passam inclusive por cima da família. Matam pai e mãe se for o caso, filho fica pelo caminho. Verdadeiros psicopatas não têm essa loucura com o funcionamento grupal familiar”.