
“Para mim, o ministro Fachin fez o que era de se esperar num momento desses: resolveu entregar os anéis para não ter de entregar os dedos. O fato é que estava pautado para esta semana, ao que tudo indica, o julgamento do habeas corpus da suspeição de Moro, e isso poderia ter consequências muito drásticas para Sérgio Moro. Se reconhecida sua suspeição e o fato de que Moro, conscientemente, perseguiu Lula, e não se deu por suspeito tendo sentimento de hostilidade em relação a ele, isso poderia levar à conversão de sua exoneração em demissão pelo Conselho Nacional de Justiça. E isso seria o que o país esperaria em termos de ética pública nesse momento.” Assim Eugênio Aragão, ministro da Justiça no governo Dilma, comentou a Eleonora e Rodolfo, do TUTAMÉIA, a anulação dos processos com o ex-presidente Lula determinada nesta segunda-feira, 8 de março, em decisão monocrática do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal. Em resumo, diz Aragão, “Sofremos aí um atalho. O ministro Fachin resolveu reconhecer o óbvio, que já era dito desde o começo, que Moro era incompetente para esses processos”.