
“O Brasil tem grande parte da população em situação de insegurança alimentar, como recentemente divulgou o IBGE. Quase quarenta por cento da população enfrenta insegurança alimentar. E os números são de antes da pandemia. A pandemia não tem nada a ver com a volta do Brasil ao mapa da fome. Tudo isso aconteceu antes da pandemia. A pandemia agrava. A pandemia até agora não teve uma repercussão maior graças ao auxílio emergencial. Mas, se cortar o valor ou se cortar o auxílio definitivamente, eu temo que a gente passe dos atuais números, estimados em 15 milhões de pessoas passando fome, a uma proporção muito maior, chegar aos 40 milhões que nós enfrentamos na época do início do governo Lula, quando começou o Fome Zero.” É o alerta que faz o agrônomo e doutor em economia José Graziano da Silva, considerado o “pai” do programa Fome Zero lançado no governo Lula, quando foi ministro extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome. Em entrevista a Eleonora e Rodolfo do TUTAMÉIA, Graziano, que foi diretor geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) de 2012 a 2019, diz que a situação brasileira vem sendo agravada nos últimos anos e, em especial, neste governo, por causa da destruição das políticas públicas.