
“As pessoas [do comando das Forças Armadas] com que eu convivi, quando ministro da Defesa, eram pessoas sensatas. Eram pessoas respeitosas da lei, pessoas que se interessavam pela defesa do país –estávamos debatendo acordos militares com a China e com a Rússia. Fico muito espantado com essa visão diminuída do Brasil, do ponto de vista estratégico, de ser um quintal dos Estados Unidos, e todos esses desmandos na área governamental –na área de educação, na área ambiental, nas relações governamentais, em todos esses lugares é um desastre sem tamanho. Conheci pessoas muito sérias nas Forças Armadas. Mas vejo que elas estão muito afetadas. Acho que todas essas coisas são lamentáveis em todos os aspectos. A minha opinião é que as Forças Armadas deveriam sair.” Essa é a avaliação do embaixador Celso Amorim, chanceler no governo Lula, ministro da Defesa no governo Dilma e com décadas de experiência na diplomacia brasileira. Em entrevista a Eleonora e Rodolfo, do TUTAMÉIA, ele fala das novas perspectivas do mundo depois da derrota de Trump e da posse de Joe Biden na presidência dos Estados Unidos. Analisa o governo Bolsonaro, que considera um desastre sob todos os aspectos, e diz que “é difícil de acreditar que as Forças Armadas não estejam contaminadas”.