
“A legalização do aborto na Argentina é uma conquista histórica das mulheres e que todas as pessoas que acreditam que os direitos precisam ser ampliados. Simbolicamente é muito importante por ser o país do papa a afirmar com tanta clareza e com tanta firmeza que o Estado precisa ser laico. É um exemplo para a América Latina como um todo. A Argentina alcançou nesse momento uma noção de laicidade que é muito importante, fundamental para a vida, para a saúde das sociedades. O Estado é laico e o Estado precisa decidir suas políticas a partir do interesse da sociedade como um todo. A religião não pode ser aquilo que vai dar o tom das decisões das políticas de Estado. Nesse caso, é a área de saúde que tem que dar o tom”. É o que afirma a pastora luterana Lusmarina Campos Garcia a Eleonora e Rodolfo, do TUTAMÉIA. Teóloga e pesquisadora em direito na UFRJ, nesta entrevista ela fala da luta pela legalização no aborto no Brasil, trata dos casos de feminicídio e avalia a situação da mulher na pandemia. Discute a violência, o machismo, o pensamento patriarcal e as consequências do fato de um grupo de extrema direita governar o país.