
“O hino do Rio Grande do Sul representa uma guerra protagonizada pelos latifundiários senhores de escravos. Escravagistas que tinham a ideia de praticamente não pagar imposto, não admitir a taxação da terra. Esse hino é absolutamente verdadeiro. Ele diz que os exemplos a serem seguidos são os senhores de escravos, latifundiários, militares. Esse é o modelo para toda a terra. Esse hino é um escárnio a qualquer ideia civilizatória. Ele é arrogante, soberbo, odiento e absolutamente racista. O bolsonarismo se alimenta nesse tipo de cultura da violência. Não há conversa, há o relho, as armas, a valentia e assim por diante”. Palavras do historiador Luiz Carlos Golin, o Tau Golin, em entrevista a Eleonora e Rodolfo, do TUTAMÉIA. Professor da Universidade de Passo Fundo e autor de vários livros sobre a história gaúcha (como “A Ideologia do Gauchismo” e “A Guerra Guaranítica”), ele falou sobre o protesto da bancada negra na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, que, no dia da posse, em 1° de janeiro de 2021, se negou a cantar o hino gaúcho. Um dos versos diz: “Povo que não tem virtude, acaba por ser escravo”.