
“A gente morava no Leblon. Meu pai era engenheiro, era diretor de uma empresa de engenharia. Ele ia muito à praia, jogava vôlei. Estavam todos voltando para casa, era um fim de semana e de repente aparece a polícia, à paisana, e o intima, quer levá-lo para depoimento. Assim era dito. Mas com gente armada dentro de casa. Meu pai tinha cinco filhos, eu não estava em casa naquele momento, mas meus irmãos estavam, minha mãe estava. Ele vestiu o terno, a gravata, e espertamente decidiu ir dirigindo o seu próprio carro. Minha mãe foi presa no dia seguinte, ficou dez dias, minha irmã de 15 anos também. Quando minha mãe foi solta e voltou para buscar o carro, ela assinou um recibo, e ela tinha uma cópia desse recibo. Por muito tempo, essa foi a prova única que a gente teve de que ele tinha sido preso.” Assim foi a prisão ilegal de Rubens Paiva, quase um sequestro, conforme sua filha Vera Paiva conta a Eleonora e Rodolfo, do TUTAMÉIA, agora, quando se completam cinquenta anos de assassinato do ex-deputado federal, defensor da democracia e batalhador das grandes causas nacionais. Confira a entrevista completa!