
O Boi por Maria Clara da Silva Froz. Ó solidão do boi no campo, ó solidão do homem na rua! Entre carros, trens, telefones, entre gritos, o ermo profundo. Ó solidão do boi no campo, ó milhões sofrendo sem praga! Se há noite ou sol, é indiferente, a escuridão rompe com o dia. Ó solidão do boi no campo, homens torcendo-se calados! A cidade é inexplicável e as casas não têm sentido algum. Ó solidão do boi no campo! O navio-fantasma passa em silêncio na rua cheia. Se uma tempestade de amor caísse! As mãos unidas, a vida salva… Mas o tempo é firme. O boi é só. No campo imenso a torre de petróleo. Autor: Carlos Drummond de Andrade