
O Futuro por Marina Alves. O futuro? Tem orelhas, mas é surdo. E é manco. Se arrasta, sem espanto mais alheio do que lúcido com o nosso despreparo. Se fosse um deus amava o humano mas, como não existe, o futuro tem de amansar seus ventos, marcando as peles, as montanhas. Sendo um gênio, não é um exército de cronogramas, nem de antecipações. Tem firmeza de flor. E é invisível, reconhecido por seus efeitos de brisa, furacão. Nunca adiado. Não tem nada a ensinar no entanto é um mestre dizem os esgrimistas, os observadores de saltos, os gatos também aprendem certos truques com ele. E se ama os despreparados lhe sabem tanto os que fazem quanto os que esperam. Os otimistas valem mais valem quanto? Cem bifurcações, sucessivas gerações de bem aventurados que topam em pedras, cicatrizam e correm bem alimentados com fome de mais alimento. São seus sinais os imprevistos, os cavalos os pontos cardeais os cinco sentidos e os setes buracos da cabeça. Autora: Júlia de Carvalho Hansen