
Peraltagem por Ludmila Guimarães. O canto distante da sariema encompridava a tarde. E porque a tarde ficasse mais comprida a gente sumia dentro dela. E quando o grito da mãe nos alcançava a gente já estava do outro lado do rio. O pai nos chamou pelo berrante. Na volta fomos encostando pelas paredes da casa pé ante pé. Com receio de um carão do pai. Logo a tosse do vô acordou o silêncio da casa. Mas não apanhamos nem. E nem levamos carão nem. A mãe só que falou que eu iria viver leso fazendo só essas coisas. O pai completou: ele precisava de ver outras coisas além de ficar ouvindo só o canto dos pássaros. E a mãe disse mais: esse menino vai passar a vida enfiando água no espeto! Foi quase. Autor: Manoel de Barros