
A captura da Alma pode acontecer nos momentos em que a gente faz acordos mentindo que “vai ser só por um tempo” e gastamos todas as nossas vidas em uma “fase” que dura pra sempre - ou até que toda a nossa pulsão criativa seja consumida e reduzida a um burnout, garrafas vazias ou um stent. Viver é buscar um equilíbrio dinâmico entre eu/mundo, o consciente e o inconsciente, entre quem somos-fomos-seremos e os papéis que desempenhamos nessa saga (mãe, filha, esposa, amiga, massagista, professor). É claro que em alguns momentos priorizaremos alguns papéis em detrimento de outros, alguma fatia da roda-da-vida em detrimento de outra. Esse aparente desequilíbrio é fundamental para que possamos crescer a nível físico, relacional, material e espiritual. A perda da nossa alma não ocorre por priorizamos temporariamente uma área da vida ou outra: acontece quando nos fixamos em um papel tempo demais. Quando nos confundimos com uma posição que ocupamos no mundo. Quando pensamos ser o que parecemos. Perdemos a nossa Alma quando não reconhecemos que um ciclo chegou ao final. Ou quando não temos forças para nos abrir para algo novo por sermos cativeiros do conhecido (des)conforto. Perdemos a alma quando não temos clareza da justa medida entre fazer e o conter. Entre o servir e o servir-a-si. Quando andamos sem paradas. Corremos sem descanso. Seguimos sem reflexão. Quando temos verdades de estimação. E não somos capazes de nos estimar. Perdemos alma quando é mais fácil falar sobre o que fazemos que sobre quem somos. Sobre o que é esperado de nós que sobre o que realmente desejamos. Perdemos a Alma quando o SER torna-se um borrão de fazer - escravo do “tenquenismo”. Mas então, como se cria um RELACIONAMENTO com a Alma? Como podemos transitar entre o consciente e inconsciente de forma saudável, dinâmica e construtiva? Como nutrir aquilo que é essencial para mim sem perder a conexão com o mundo externo? Com os demais? Impulsos para que você mesmo encontre em si essas respostas estão na sombra desse episódio. Vamos juntos pela sombra? Vinheta: Mandril Audio. Soundtrack: Levi Patel Imagem: Ashley Ibarra