
Desde 2019, o Governo Bolsonaro conseguiu uma marca histórica: autorizou mais de 25% de todos os registros de agrotóxicos feitos nos últimos 20 anos no Brasil. Em apenas dois anos de mandato, foram liberados 1411 novos produtos considerados perigosos para a saúde humana e ambiental.Para agravar a já gravíssima situação, está para ser votado a qualquer momento na Câmara dos Deputados o infame PL do Veneno, projeto de lei que afrouxa ainda mais a regulamentação e o uso de agrotóxicos. Alguns dos pontos mais perigosos desse PL estão:Vedação da importação e produção de agrotóxicos restringe-se aos“riscos inaceitáveis”. Atualmente, a lei define a proibição para agrotóxicos que revelem características teratogênicas, carcinogênicas, mutagênicas, distúrbios hormonais e danos ao aparelho reprodutor. No PL, esses riscos não são considerados inaceitáveis.Prazos rápidos (até 2 anos) para avaliação e aprovação de novos agrotóxicos, que ficarão a cargo do Ministério da Agricultura. Hoje, precisam passar por avaliações ambientais e de impacto na saúde humana pelo IBAMA e ANVISA. Caso não sejam avaliados nesse período, automaticamente receberão autorização temporária e serão comercializados.O uso de agrotóxicos no Brasil já fugiu ao controle - e se tornará um perigo ainda maior ao meio ambiente e a população com a aprovação do PL do Veneno. Para se ter ideia da cadeia de impacto, em 2017, o Ministério da Saúde fez um levantamento em 2.600 municípios brasileiros para detectar a presença de agrotóxicos na água distribuída à população: foram encontrados resíduos de veneno em 92% das cidades monitoradas. Entre 2010 e 2019 no Brasil, cerca de 30.000 pessoas foram intoxicadas —uma média de oito a cada dia.Para conversar sobre o PL do Veneno e como a sociedade civil pode pressionar para barrar essa boiada venenosa, nossa convidada é Marina Lacorte. Engenheira Agrônoma com mestrado na área de ecologia, Marina atua na Campanha de Agricultura e Alimentação do Greenpeace. Support the show