
Os Estados Unidos gastaram mais de US$ 80 bilhões para equipar e treinar o Exército afegão, que se desmantelou diante da ofensiva dos talibãs e possibilitou a tomada da capital menos de 24 horas após a chegada os rebeldes. Contudo há fatores que ajudam a entender essa dinâmica. O modelo implantado para as Forças Armadas do Afeganistão demanda redes logísticas fartas e eficientes para abastecer as tropas, bem como suporte aéreo para ataque e abastecimento de mais de 200 bases que somente recebiam suprimentos por via aérea. Após o acordo de Doha, no qual o ex-presidente Donald Trump negociou trégua com o grupo islâmico, os talibãs tiveram tempo para se organizar, o governo central - visto com desconfiança pelos próprios afegãos - não conseguiu sustentar essa estrutura, muitos soldados afegãos - sem recursos ou afinidade com a elite dirigente - aceitaram a barganha para se render sem sofrer represálias, e os essenciais suporte aéreo, de inteligência e das organizações privadas paramilitares praticamente cessaram durante o governo Biden. Ouça o boletim Vasto Mundo de 16 de agosto para a Rádio Super Notícia 91,7 FM e jornal O TEMPO (www.otempo.com.br)