
Jornalista Mario filho, expōe sua opinião sincera sobre a série Round 6: Achei a série Round 6 Horrível uma ABOMINAÇÃO. Mas o jogador 456 tem muita dignidade. Se no final das contas, as pessoas mais sugestionáveis prestigiarem a dignidade do 456 em detrimento da inescrupulosidade proposta, a série tem uma mensagem construtiva. Mas… …Para talvez chegar a essa percepção é necessária outra pandemia? Outro genocídio? (Sem conotação política). Só que uma pandemia-genocida propagada pela Netflix? A pandemia em si já surtiu o efeito contrário. Não houve catarse alguma. O significado da vida foi desvalorizado, 600 mil só aqui no Brasil viraram estatística. Ver pessoas morrerem não choca a nova geração. Muitas pessoas inclusive mais experientes e sensíveis acabaram, ainda que inconscientemente, se anestesiando à iminência da morte. Indiferença, banalização. E então surge o líder de audiência na Netflix que superdimensiona a vida humana como descartável. É uma maldita glamourização do crime, da sordidez, do inaceitável. É o que dá audiência. É um “Dom” da vida que vira série. Não o trabalhador honesto que não se vicia nem se envolve com a vida criminosa. Esses, exemplares, não rendem uma história impactante o suficiente. Vida ordinária, vida sem apelo para um roteiro comerciável, envolvente e sedutor. O Leandro Karnal compara Round 6 ao Poço. Óbvio que é uma analogia à sociedade. Mas a uma minoria ainda. Espero eu, no meu romantismo. Agora já imaginou se a garantia de sucesso então forem essas temáticas espanhola e sul-coreana? Aí não cabem mais a minha ingenuidade e romantismo, e o (mau) exemplo vai contaminar o macro, e não mais o micro. Será que para aplaudir a dignidade tem que provocar, perturbar e chocar desmedidamente as pessoas explorando uma ganância tão desumana que causa o “canibalismo” entre os praticantes? Eles têm que se eliminar para prosperar no “jogo”. É um incentivo perverso ao “o fim justifica os meios”. Maquiavélico seria elogiar esse comportamento. Já são níveis acima do que antigamente era considerado nefasto e obscuro. É uma fórmula perigosa demais que vende mas confunde. Que domina a Netflix mas distorce monstruosamente valores morais para, no final, TALVEZ prevalecer a dignidade do 456 numa geração que já consome tantos produtos fúteis, rasos, negativos e cheios de subjetividade nociva. E é uma realidade tão distante da velha educação que quem ainda não assistiu ao Round 6 logicamente vai ficar curioso para assistir. Afinal, é o assunto do momento. E todos têm que estar bem-informados né? Mas é essa a informação que todos deveriam estar preocupados em se aprofundar e debater? É essa a informação prioritária? Que essa série merda promova pelo menos uma reflexão. E que os nossos filhos contemplem a índole muito decente do 456. Por Mario Filho