
[Episódio 8 — junho de 2020] Sumário: (1) Heráclito afirma «Não é bom para os homens que consigam tudo o que querem». (2) A deusa da Aurora, Eos, apaixona-se por Títono, um belo mortal. Pede a Zeus que o faça imortal, este acede ao seu pedido. Títono não falece, mas envelhece. A deusa esqueceu-se de pedir que o seu amado fosse eternamente jovem, abandonando assim o amado enrugado. A poeta Safo escreve: "Já a idade fez secar meu corpo,/embranquecendo-me os cabelos que eram pretos [..] Adoro, mais que tudo, a flor da juventude. [...] Só por acaso é que não morro. [...] A morte não é um bem./Os próprios deuses o sabem./Eles preferiram viver...". (3) "Névoa de nadas § disse O-que-Sabe §§ névoa de nadas § tudo névoa-nada" (Ec. I, 2). Defende a filósofa Filomena Molder que só «a maravilhosa inconsciência da vida, que se chama ser jovem», cumpre a passagem que se segue: "Espalha o teu pão § sobre a face das águas §§§" (Ec. XI, 1). [Breves Referências:] Heráclito, DK 22B110; DK 22B117; Pierre Grimal, «Dicionário da Mitologia Grega e Romana» (2005); Safo "Toca, minha amiga, as cordas puras da tua lira."; Qohélet = O-que-Sabe: Eclesiastes: poema sapiencial (tradução de Haroldo de Campos); Ec. I, 2; XI, 9; XI, 1; Filomena Molder, "Questões de filologia" (Sobre o Qohélet / Ecclesiastes) https://www.youtube.com/watch?v=rbep4zv58OA