
O Crusp foi construído há 60 anos e passou por diversas transformações ao longo dessas seis décadas. O terreno para a construção de uma Cidade Universitária foi cedido em 1941 e os primeiros planos para a sua construção já previam uma área residencial para professores, funcionários e alunos. Entretanto, foi somente em 1962 que o projeto definitivo de um Conjunto Residencial da USP começou a ser construído a pedido do Fundo para Construção da Cidade Universitária (Fundusp). A proposta previa 12 prédios de 6 andares cada, que abrigariam 2160 alunos no total. Os 12 blocos ficariam entre a avenida onde hoje está a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e a avenida da Raia Olímpica. Na madrugada do dia 17 de dezembro de 1968, o Campus Universitário foi invadido por tanques de guerra. O Exército cercou o Crusp e levou os moradores para o Presídio Tiradentes. Um inquérito policial militar foi criado com base nas investigações do Dops e na apreensão dos livros e do material político apreendido nos blocos. A moradia foi fechada imediatamente e os pertences dos moradores foram confiscados. A moradia estudantil somente voltou a funcionar em 1979 após a ocupação dos 5º e 6º andares do Bloco A por 50 estudantes no dia 30 de outubro daquele ano. Ao longo do período em que a moradia ficou fechada, os blocos H, I e J foram desmontados, cedendo lugar para a Rua da Reitoria. Para contar essa história, o Jornal do Campus entrevistou os ex-moradores Celso Suyama, Rafael de Falco, José Costa Barros (Mohan), Laura Capriglione, Alexandre Carrasco e Rafael Alves, e os antigos militantes do movimento estudantil Adriano Diogo, José Carlos do Carmo (Kal) e Wagner Nabuco. Reportagem, narração e edição: Ivan Conterno