
Em 2015 a China conseguiu o que queria quando o yuan entrou na cesta de moedas do FMI. Para isso, teve que abrir a comunicação entre os bancos do continente e Hong Kong. Em dois meses, 300 bilhões de dólares saíram do país e quem tirou foi a própria elite chinesa, comprando ativos em dólar. A China fechou a torneira e nunca mais abriu. Essa história o Otaviano Canuto viveu de dentro, como diretor executivo do FMI. Ele também foi vice-presidente do Banco Mundial e do BID, e hoje acompanha de Washington o que ninguém no Brasil está acompanhando: a disputa real entre Estados Unidos e China não é por tarifas, é por minerais críticos. E o Brasil está no meio dela. Conversamos sobre o que os americanos realmente querem daqui, por que o valor está no beneficiamento e não na extração, e por que ele não vê o dólar perder a supremacia, mesmo com tudo que está acontecendo. Fiz também a conta dos últimos 20 anos: R$100 no CDB contra R$100 convertidos e aplicados no S&P 500. A diferença é quase três vezes, já descontada a inflação. No fim, ele me disse a frase que resume o episódio: o Brasil não vai ser salvo de fora. Tem que fazer a lição de casa.