
Episódio
Conteúdo disponível em texto e áudio Como vai você? Tudo bem? Espero que sim! E que, nesses nossos encontros semanais, possamos te ajudar a entender melhor o que contribui ou atrapalha quando o assunto é a sua saúde emocional e familiar. Então, deixa eu te contar! Semana passada, me deparei com essa notícia: A FoloToy, empresa sediada em Singapura, retirou do mercado o ursinho de pelúcia “Kumma”, equipado com inteligência artificial, após ser constatada a verbalização de conteúdos inapropriados como orientações perigosas e conversas sexualmente explícitas. A decisão foi impulsionada por um relatório do US PIRG Educational Fund que revelou falhas de segurança no produto, levando a OpenAI a suspender o desenvolvedor. Acesse aqui a matéria completa. Essa história começou assim: diante da oferta de brinquedos infantis habilitados para o uso com Inteligência Artificial, um grupo de defesa do consumidor começou a testar alguns deles e descobriu que, apesar da aparência inocente, o Kummy era, no mínimo, uma companhia bastante inapropriada. O ursinho, foi construído usando o modelo do Chat GPT-4o - para sua referência, esta é a versão anterior a que está disponível hoje no mercado, a GPT - 5.1, mais conversacional que a versão 4o. Quando perguntaram ao Kumma onde poderiam encontrar uma correspondência, o brinquedo os direcionou para aplicativos de namoro. Quando pressionaram por uma explicação, ele ofereceu uma lista de plataformas populares e depois as descreveu. Mas, não parou aí, o brinquedo identificou e indicou até um aplicativo que atende a encontros e fetiches BDSM, conceito que caso você não conheça, inclui sadismo e masoquismo. O relatório também declarou: “O Kumma da FoloToy nos disse onde encontrar uma variedade de objetos potencialmente perigosos, incluindo facas, pílulas, fósforos e sacolas plásticas”. Oficialmente, Teddy Kumma é vendido por US$ 99 “como um companheiro inteligente que vai além dos abraços, perfeito para promover a curiosidade e o aprendizado. Equipado com excelente tecnologia de IA, interage em tempo real, oferecendo bate-papos amigáveis e conversas profundas para crianças e adultos". Confira aqui. Vale ressaltar, que no site da empresa, toda a comunicação visual do produto está voltada para a primeira infância. Diante desses fatos, me perguntei: Uma criança na primeira infância, em sua fase mais pura de descobertas e conexão com seus pais, precisa mesmo de um brinquedo como este? Uma criança em uma outra fase da vida, deve realmente ter como companhia conversacional uma inteligência artificial? Vivemos uma crise muito além das questões de infância, telas e redes sociais. Lidamos com a dificuldade de conseguir sentar à mesa em família, de cuidar da saúde e performar em bem-estar. Precisamos crescer profissionalmente, e também validar nosso reconhecimento de forma pública, além de ter que colocar comida na mesa enquanto um monte de gente jura que enriquece fácil. Quem dá conta de tudo isso? Ninguém! Não existe performance sem sacrifício. Tudo é uma questão de prioridades! Estamos na luta para dar conta da nossa vida pessoal e profissional, e, é aí, que a Inteligência Artificial se propõe a resolver nossos problemas. Ela está disponível para organizar e solucionar tarefas de casa; monitorar a saúde, o bem estar e a segurança de crianças e idosos; oferecer auxilio educacional; entreter e divertir crianças, facilitar a comunicação e até ajudar a divisão de tarefas entre familiares. O marketing seduz, a cultura normaliza e não podemos negar: falta tempo e precisamos de ajuda. Mas, me diga: a tecnologia voltada para o suporte familiar é válida até onde? É claro que queremos otimizar tempo, recursos e agregar ganhos, mas sendo bem honesta: Quando foi que perdemos a capacidade de gerenciar nossa própria vida? Quando foi que passamos a precisar de tecnologia como suporte para dar conta até de uma simples divisão de tarefas domésticas? São perguntas importantes que, se não as fizermos, talvez percamos mais saúde mental e aumentaremos os riscos de distanciamento de quem mais amamos. Afinal, quando precisamos de um ursinho para conversar com crianças até 5 anos, o que estamos fazendo? Dando um brinquedo inteligente ou terceirizando a uma IA ensinar o que ela considera apropriado a uma criança? LIBERDADE Quanta vezes já ouvimos - especialmente nós, mulheres - aquela máxima que podemos ser tudo ou fazer tudo. Não, não podemos. E não me entenda mal. Podemos seguir o caminho que desejarmos, batalharmos pela profissão e os espaços que sonhamos, enfim, não é sobre esse tipo de escolhas que estou falando. O que estou afirmando é: Ninguém pode ser tudo ou fazer tudo. Nenhum um homem ou mulher consegue. Até máquinas e robôs tem funções específicas e precisam de manutenções periódicas. Se realmente acharmos que podemos dar conta de tudo, passamos a acreditar em uma liberdade e um poder cheio de efeitos colaterais! Conhece a teoria da sociedade do cansaço? Nela, Byung-Chul Han, um filósofo sul-coreano, argumenta que a liberdade se torna uma armadilha quando o excesso de positividade e a imparável busca por realização - ou seja: tudo tem que crescer, melhorar, aperfeiçoar - nos leva ao esgotamento mental e emocional devido as nossas próprias cobranças por performance e sucesso. Exaustão e insatisfação também se fazem presentes quando a grama do vizinho brilha nas redes sociais, nas histórias que a mídia conta… é, a vida alheia instiga! E quando não conseguimos ser tudo isso? E quando não dá para fazer tudo? Como já disse Luis Felipe Pondè: Se não dá para fracassar, não dá para ter saúde mental. PERFORMANCE O que comemos, porque comemos, como devemos nos sentir e nos expressar, o que aceitar, o que rejeitar, novas demandas, como educar filhos, como cuidar do casamento, dos relacionamentos, reconhecer perigos, lidar com a violência que nos ronda… são tantas informações, cobranças e novas definições de conduta, que viver, especialmente para quem tem filhos, virou quase uma maratona diária. Nenhum atleta suporta maratonas diárias. Se você está cansada, precisa descansar ou uma hora seu corpo, ou sua mente, não dará mais conta. Ah, mas não tem jeito! Não vou dar conta de tudo que preciso fazer se não me sacrificar tanto! Realmente, se você estiver fazendo mais do que é necessário ou suportável, não vai mesmo. Falta tempo para quê? Para você? Para estar em família? Para seus projetos pessoais ou profissionais? A regra básica para equilibrar a vida é definir prioridades. E aí? O que fazer? ESCOLHAS As melhores que pudermos. Será natural acertar e errar, mas isso não é justificativa para permanecermos errando. Quanto mais rápido identificarmos e reconhecermos nossos erros, mais rápido viramos o jogo. Sabemos: nossas decisões vão alcançar nossas relações mais íntimas, especialmente, nossos relacionamentos familiares. Como, então, garantir que escolhas difíceis, que nos custam caro, não comprometerão nossos relacionamentos? Desde séculos atrás, famílias saudáveis que deixaram legados emocionais inspiradores, foram geridas por patriarcas e matriarcas que não estudaram para isso. Nada de mentoria, nem coaching, nem terapia para enfrentar dúvidas, medos dificuldades e obstáculos. O segredo deles? Amor, compromisso, respeito, fidelidade e família como prioridade. Eles sabiam: onde e como investimos nosso tempo, atenção e esforço, define o que vamos colher ao longo da vida. Precisamos estar muito bem fundamentados naquilo que acreditamos. Se nossos princípios definem nossos valores, eles refletem na forma como nos vemos e nos entendemos. Nesse caso, até o fracasso trabalhará a favor da nossa saúde mental. Em tudo isso: Maturidade é escolha. Autoconhecimento é o despertar para ela. TECNOLOGIA NÃO SUPRE AFETO Usamos smartphones, smartwatches, aplicativos de saúde que contam passos, calorias, avaliam nosso sono, emoções e humor, acompanhando e registrando tudo de forma sistemática porque a vida em auto monitoramento promete nos dar controle. A tecnologia oferece eficiência como forma de felicidade. Robôs e Inteligência Artificial estão sendo disponibilizados para terapias, companhia e inclusão social para adultos, idosos e famílias. Todavia, para afeto, pertencimento, inclusão e cura da solidão, nenhuma máquina substituirá um ser humano. Não há tecnologia no mundo que possa suprir a ausência paterna, a companhia materna, o colo da avó ou brincar com outras crianças. Presença é fruto das escolhas que fazemos por amor. E ela é insubstituível. Este post é público e gratuito. Se você gostou desse conteúdo e entende a importância do nosso trabalho, compartilhe o Clube Orekare com mais gente! POR FIM Quanto ao ursinho que falamos, apesar dos alertas e da recente repercussão internacional, ele segue e seguirá disponível para compra. Alertas foram feitos, quem dará ouvidos? Obrigada pela sua companhia na nossa news de hoje! Feita com muita curadoria e carinho, para que nesses 14, 15 minutinhos juntos aqui, você pode refletir um pouco sobre como podemos agir de forma preventiva e ativa para a sua saúde emocional e da sua família. O Clube Orekare existe para multiplicar conteúdo carregado de conhecimento, propondo reflexões e experiências que agregarão valor à sua vida! inscreva-se logo abaixo e apoie o nosso trabalho. Por hoje, eu fico por aqui! Nos vemos em breve! Até lá! 1 Get full access to Clube Orekare at clubeorekare.substack.com/subscribe