Todos os dias, a cena se repete em milhares de lares: A porta se abre, a mochila é deixada de lado e vem a pergunta quase automática: “Como foi a escola hoje?”. Na maioria das vezes, a resposta vem em uma frase curta: “Tudo bem”. Muitas vezes, para nós, pais, esse retorno costuma bastar para acalmar o coração. Se não há reclamações na agenda e as notas estão em dia, presumimos que tudo caminha bem. Afinal, fomos condicionados a acreditar que acompanhar a vida escolar dos nossos filhos consiste em inspecionar o dever de casa e os estudos, garantir o material em ordem e cobrar o desempenho nas provas. Mas sabemos que a vivência escolar é uma jornada ampla, que vai muito além de resultados e notas num boletim. A escola não é apenas o lugar onde nossos filhos aprendem disciplinas como matemática, línguas, história e ciências. É o palco onde eles testam seus limites, onde aprendem a lidar com a rejeição, com a amizade, com a frustração e com a própria identidade. Acompanhar a vida escolar dos nossos filhos é olhar para eles de verdade. Para uma criança ou um adolescente, o dia a dia na escola é uma jornada intensa de socialização. Enquanto os professores explicam a matéria em sala de aula, uma série de outros aprendizados silenciosos acontece nos corredores, no pátio e na hora do lanche. É preciso compreender que, muitas vezes, a maior dificuldade de um aluno não está na interpretação de um texto, mas na interpretação dos sinais sociais ao seu redor. A dinâmica dos grupos é um desses fatores essenciais. Como nossos filhos se sentem no recreio? Eles têm com quem sentar e conversar ou o momento do intervalo gera ansiedade? A sensação de pertencimento a um grupo é um dos pilares da autoestima nessa fase. Também há a relação com as próprias emoções. Como eles lidam quando erram uma resposta na frente de todos? Eles se sentem seguros para expressar suas dúvidas ou têm medo de parecer menos inteligentes que os colegas? E o que dizer sobre o ambiente físico e social? A escola é percebida por nossos filhos como um porto seguro ou como um território de constante avaliação e julgamento? Quando passamos a olhar para esses aspectos, percebemos que o desinteresse por uma matéria ou a queda repentina em uma nota nem sempre são dificuldades cognitivas ou de aprendizado. Muitas vezes, são reflexos de como estão se sentindo em relação aos colegas, aos professores ou a si mesmos. Para nos aproximarmos dos nossos filhos por meio desse universo, é importante transformar o diálogo diário. Se a pergunta tradicional só gera respostas monossilábicas, que tal mudar a abordagem? Que tal demonstrar interesse genuíno pela experiência humana deles, e não apenas por uma prestação de contas acadêmica? Olhar para a rotina escolar sob essa perspectiva nos convida a uma reflexão profunda sobre o nosso papel na formação dos nossos filhos. Por isso, é essencial mantermos um canal de diálogo sempre aberto. Quando estamos, de fato, próximos deles, as vivências escolares, das mais simples às mais complexas, se tornam momentos de conexão e oportunidades para ensinarmos valores importantes, como resiliência, respeito às diferenças, honestidade e empatia. Que possamos, como pais, assumir o lugar de parceiros nessa jornada de aprendizado que vai muito além da sala de aula! Gostou da reflexão? Fez sentido para você? Então, compartilhe com quem você acha que precisa ouvir essa mensagem. Se você tem dúvidas ou quer deixar seu comentário, queremos te ouvir! Se você entende a importância do nosso trabalho, apoie o Clube Orekare com uma assinatura paga. Junte-se a nós para que possamos levar consciência socioemocional para mais famílias! Obrigada e até a próxima! Get full access to Clube Orekare at clubeorekare.substack.com/subscribe