
No podcast Os Novos Cientistas desta quinta-feira (2), a convidada foi a médica veterinária Alexia Pimenta Bom Conselho. Ela é autora de um estudo de mestrado inédito intitulado Análise e criopreservação de sêmen de urso andino (Tremarctos ornatus) (2025). A pesquisa desenvolvida na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP é a primeira a descrever o uso da colheita farmacológica de sêmen e criopreservação em urso andino de vida livre. O estudo contou com a orientação da professora Cristiane Schilbach Pizzutto da FMVZ. O urso andino é a única espécie nativa da América do Sul e está classificada como vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), devido à fragmentação do habitat e da perda de variabilidade genética. De acordo com a pesquisadora, ele ocorre na Bolívia, Venezuela, Colômbia, Peru e Equador. “Estar na lista da UICN significa risco de extinção, se nada for feito”, disse a pesquisadora. Sendo menor que os ursos negro e pardo, ele pode chegar até 1,80 (cm) de altura e possui pelos pretos. “Eles têm algumas manchas de cor amarronzada ao redor dos olhos. Por isso, também são chamados de ‘ursos de óculos’”, contou a pesquisadora, ressaltando que cada animal tem uma mancha diferente, como se fosse uma digital. De acordo com Alexia, foi a primeira vez que foi coletado o sêmen de urso de vida livre. “Já foi coletado em zoológico com a eletrojaculação mas, pela primeira, vez foi utilizando essa técnica, que é a colheita farmacológica. Como informou a pesquisadora, os ursos foram capturados por meio de armadilhas. “Em seguida, o sêmen era coletado e se colocava no animal um rádio colar. Os ursos eram soltos, monitorados e filmados em seus deslocamentos”, contou Alexia. Pela primeira vez, como informou a pesquisadora, conseguiram encontrar um crioprotetor para congelar o sêmen. “Também conseguimos descrever a anatomia do pênis e a qualidade do sêmen”, destacou, lembrando que o seu estudo é um piloto para dar base para outras pesquisas nessa linha de biotecnologia para reprodução. Disponível também na plataforma Spotify