
Nesta edição de Conexões Afro-Lusófonas conversamos com o professor Paulo Speller, brasileiro que vive na Guiné Equatorial há cerca de dois anos atuando como reitor da Universidade Afro-Americana da África Central (AAUCA). Essa instituição pública de ensino superior fica na cidade de Djibloho, no interior do país. Speller nos conta que “mesmo antes da entrada na CPLP, a língua portuguesa começou a ser introduzida na Guiné Equatorial em 2011, por um decreto do presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo”. A CPLP é uma organização internacional composta por países que compartilham o português como língua oficial, incluindo Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Apesar de ser um país pequeno, com pouco mais de 28.000 km² e uma população estimada em quase 800.000 habitantes, a Guiné Equatorial é um verdadeiro “mosaico linguístico”. “Além das três línguas oficiais, há outros idiomas no país”, descreve Speller. Entre as mais faladas, conforme o professor, estão o fang, uma língua bantu, e o pidgin inglês. “O pidgin inglês é uma junção do inglês com outras línguas africanas”, explica o reitor. Existem outras como a língua bubi, falada na Ilha de Bioko; o fá d’ambô, um crioulo falado na ilha de Ano Bom; e o bisiu, crioulo de Malabo. Speller elogia: “Essa riqueza de línguas e a cultura do país é um fascinante encontro entre as raízes africanas e o legado espanhol”. Historicamente, o espanhol consolidou-se como a língua principal da Guiné Equatorial devido à sua longa história como colônia da Espanha, o que a distingue da maioria dos países africanos de língua oficial portuguesa. A introdução do português, portanto, marca um movimento estratégico de reaproximação com a lusofonia, buscando novas parcerias e integração regional. Os benefícios e desafios do petróleo A Guiné Equatorial é uma nação pequena, como informa o professor Paulo Speller. Ele calcula que em apenas três horas é possível atravessar todo o país. “E isso pode ser feito por intermédio de excelentes estradas, que foram construídas durante o ‘boom’ do petróleo e com a participação, inclusive, de empresas brasileiras”, lembra Speller. A indústria petrolífera do país tem uma história recente. A descoberta e exploração de petróleo e gás natural na década de 1980 mudaram significativamente a economia local. Speller descreve que houve investimentos massivos em infraestrutura, como estradas, portos e aeroportos. “Essa infraestrutura é o que se vê mais claramente no país, gerando emprego e oportunidades. Mas, é preciso ver as desigualdades e a distribuição”, considera. “Realmente há uma desigualdade importante, que se observa em vários países africanos, inclusive na Guiné”, cita Speller. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), menos da metade da população tem acesso à água potável e 20% das crianças não sobrevivem aos primeiros 5 anos de vida.