
Episódio
Olá! Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação". Esta semana, quero contar-te uma coisa curiosa – e que me deu que pensar – que me aconteceu no meu aniversário. Neste episódio mencionamos: Stress less, accomplish more, de Emily Fletcher Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias. Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sê bem-vinda a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Esta semana, quero contar-te uma coisa curiosa – e que me deu que pensar – que me aconteceu no meu aniversário. Já aqui vos disse que faço anos no melhor dia, o mais redondinho (o dia 8) do melhor mês, o mais especial (Fevereiro), que este ano calhou a um Domingo, algo muito conveniente para poder reunir a família à hora de almoço. Tudo o que podia preparar na véspera, preparei na véspera, e ficaram por fazer, digamos, os acabamentos da refeição. De manhã acordei e senti que a minha barriga estava um pouco estranha, mas prossegui com o meu plano: pequeno-almoço, organizar algumas coisas em casa e sair para ir fazer o meu treino de corrida. Queria mesmo aproveitar a nesga de céu azul que via, mais a mais depois de dias a fio com tempestades consecutivas. De maneira que lá me equipei e saí para correr. Assim que arranquei comecei a sentir algo esquisito na barriga. Sorri sempre e continuei, distraí-me com o sol – que já não víamos há largos dias – vi as águas do Tejo bem subidas e até acastanhadas, resultado das cheias que temos tido por todo o lado, mais as descargas das barragens. Enfim, aproveitei muito o facto de poder andar a correr sem chuva nem muito vento, o que foi uma mudança significativa em relação aos treinos das últimas semanas, em que cheguei a casa sempre encharcada e precisada de “descascar” a roupa toda, que de tão molhada se colava à pele. Lá terminei o meu treino, contente por ter podido aproveitar o sol. Enquanto no céu as nuvens se aglomeravam e prometiam chuva (que chegou estava eu a regressar a casa), na minha barriga as cãibras aumentavam, umas atrás das outras. Só me lembrava do nome que, na Argentina, tinha aprendido para “cólicas”: retortijones. Era mesmo isso que sentia, como se o intestino se contraísse e se torcesse periodicamente dentro da minha barriga. Comecei a rever as possíveis causas: teria sido glúten acidental? Teria sido algo estragado? Teria comido demais? Sem conclusão certa, pensei que não me apetecia nada almoçar, o que me pareceu bem estranho porque tinha estado a fazer o almoço de véspera (uma receita macaense!), e o bolo de aniversário, e tudo com tanto entusiasmo. Bem, avançando rapidamente para o momento em que fui começar os acabamentos da refeição e me senti completamente tonta. “Hmmm, estranho….”, pensei eu. Quando tentei ir comer a sopa, a cabeça começou a rodar e tive de me render às evidências: o sofá era o meu lugar para este dia especial. E portanto assim passei o meu aniversário: deitada no sofá, cheia de almofadas e mantas, com cólicas persistentes, cheia de frio, e depois calor. Dei por mim a pensar: “olha, até nem é uma maneira nada má de passar um dia especial, a descansar.” Sim, na verdade, eu estava a precisar de descansar, e o dia acabou por ser muito bom, deitada no sofá e cheia de miminhos de todos, mas a questão que acabei por me colocar foi: “porque é que foi preciso ficar doente para ter um dia de descanso?” Este é um dos temas que abordo frequentemente em todos os meus programas, desde o Desenhamos Juntas até ao Conectar para Liderar: porque é que precisamos de ficar doentes ou entrar em crise para poder descansar? Ou, por outras palavras, porque é que só descansamos quando ficamos doentes ou entramos em crise? Porque é que esperamos até uma situação limite que nos obriga a descansar para, efectivamente, nos darmos permissão a nós próprias para descansar? Essa é uma pergunta que me tem feito pensar muito, juntamente com uma outra, que é: porque é que evitamos ou adiamos algo que sabemos que nos vai fazer bem? Aqui quero fazer uma pausa para pensarmos um pouco sobre isto, porque acho que não é uma pergunta que possamos abordar à pressa, nem de forma liviana. E repito aqui a pergunta: porque é que adiamos ou evitamos algo que sabemos que nos vai fazer bem? Dou-vos um exemplo muito simples na minha vida, isto para mostrar que estamos sempre a aprender e que a aprendizagem se faz de avanços e retrocessos. Ora em Março de 2023 comecei a fazer meditação duas vezes por dia. A minha amiga Joana ofereceu-me um livro no meu aniversário chamado “Stress less, accomplish more”, que em português foi traduzido como “Stresse menos, alcance mais”, de uma autora chamada Emily Fletcher. Neste livro, a autora partilha uma metodologia de meditação que me pareceu acessível, e que comecei a fazer diligentemente. Nos primeiros tempos, notava que era um momento prazeroso, o da meditação, mas com a passagem das semanas comecei a notar que trabalhava mais rápido e que tomava as decisões criativas que os projectos exigiam de uma maneira mais simples, mais fluída, com menos angústia e menos sofrimento. A nível pessoal, essa Primavera de 2023 foi um período muitíssimo exigente, e de cada vez que me sentava para fazer uma meditação sentia um certo alívio porque nos próximos 15 minutos, o tempo que levava uma sessão, não tinha de pensar em nada nem resolver nenhum problema. Lembro-me de sentir isto e de pensar que agradável era essa sensação de 15 minutos de alívio em que não precisava de resolver nada. O hábito da meditação instalou-se e aqui esteve durante vários anos, até que, por uma razão ou outra, comecei a suprimir uma sessão aqui, outra acolá, e gradualmente perdi esse hábito. Agora, vejamos: lembro-me bem da sensação muito agradável enquanto fazia a meditação. Lembro-me muito bem dos efeitos que comecei a sentir: mais fluidez, as peças a encaixarem mais rápido. Lembro-me bem da sensação de porto de abrigo, de ilha de calma e tranquilidade que era cada uma daquelas sessões. Lembro-me bem de todas essas coisas positivas que me dizem: “porque não tentas reestabelecer o hábito da meditação?” E sinto bem no corpo a resistência de parar a meio do dia, eventualmente a meio de um processo ou de um projecto, e tomar esses 15 minutos para me voltar a centrar. Eu sei, racionalmente, que o investimento nesses 15 minutos de meditação me vai trazer inúmeros benefícios, ou seja, que me vai trazer retorno e com juros. Mas ainda assim todo o meu ser se resiste a interromper o que estou a fazer para fazer isso. No fundo, estou a evitar, ou talvez a adiar, algo que sei que me vai fazer bem a curto, médio e longo prazo. Curioso, não é? Voltando ao descanso, e às cólicas que me atiraram ao sofá no meu dia de anos, se eu não tivesse tido aquelas dores, teria passado o dia a fazer coisas, não só relacionadas com o almoço de família cá em casa, mas também em relação a adiantar a logística da semana: as roupas que precisam de ser lavadas, estendidas, dobradas e arrumadas, entre tantas outras pequenas tarefas. O que teria ficado para trás: o ócio, o descanso, a pintura, o desenho, o brincar com as cores, o não fazer nada, o ler umas páginas do meu livro, o ver um filme sossegada no sofá. E por isso, e por estranho que possa parecer, este dia de anos deitada no sofá, ainda que cheia de dores, acabou por me saber muito bem. Depois da manhã na rua, a apanhar sol e a correr sem chuva, descansar no sofá, cheia de mantas e miminhos da família soube-me também muito bem. As dores eram dispensáveis, mas se calhar se elas não tivessem existido talvez eu também não me tivesse permitido ficar ali, a descansar. O que me faz pensar que ainda tenho muito que aprender sobre descanso e a sua importância para a produtividade. E que ainda tenho muito que aprender sobre parar e cuidar de mim antes de entrar em crise. E que ainda tenho muito que aprender sobre porque é que evito (evitamos) o que sei que me vai fazer bem. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrevê-los na tua plataforma preferida de podcasts, ou então assinarr a newsletter em airdesignstudio.com para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. The post Episódio 30. Porque resistimos ao que nos vai fazer bem? first appeared on air | illustration + design + creativity.