
Episódio
Olá! Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação". Esta semana, tenho estado a aproveitar a relativa pausa depois do Workshop de Procrastinação para arrumar a casa, que é como quem diz, a repensar e a reorganizar o meu negócio, especialmente a maneira como comunico o que faço com o público. Neste episódio mencionamos: “Não há partes más”, de Richard C. Schwartz Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Workshop de Procrastinação Conectar para Liderar(-me), o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Esta semana, tenho estado a aproveitar a relativa pausa depois do Workshop de Procrastinação para arrumar a casa, que é como quem diz, a repensar e a reorganizar o meu negócio, especialmente a maneira como comunico o que faço com o público. A verdade é que todos os negócios, aliás, todas as coisas!, se fazem exactamente assim: sai uma versão ao mundo, usa-se, percebe-se o que funciona e o que não funciona, e depois fazem-se ajustes. É assim que temos vindo a evoluir ao longo dos tempos, é assim que a tecnologia evolui, é assim que a cultura também evolui, enfim, é assim que tudo evolui, construindo em cima do que já foi construído pelas gerações que vieram antes. E aqui no meu caso, fazendo um zoom no meu negócio, com a passagem do tempo, com cada episódio de podcast que escrevo e partilho convosco, com cada lançamento, como foi o caso recente do lançamento do novo Workshop de Procrastinação, também aqui vou ajustando a comunicação com o feedback que vou recebendo de clientes e de pares. No fundo, nunca nada está terminado, e está tudo sempre a ser ajustado e reajustado. O objectivo é comunicar da maneira mais clara possível as formações que dou, para que as minhas clientes as encontrem e saibam que é aquilo que procuram, necessitam e desejam fazer. De maneira que, terminado o lançamento do Workshop de Procrastinação, uma altura em que olho mais para fora, para chegar a um público cada vez mais amplo, agora chegou a altura de voltar a olhar para dentro, para o negócio, e de arrumar a “casa”. Esta semana, tenho estado a trabalhar precisamente nisso, nomeadamente a afinar a forma como falo sobre as formações que dou. O fio condutor entre as três formações que dou, o Desenhamos Juntas, o Workshop de Procrastinação e o programa insígnia, Conectar para Liderar(-me), é que em cada uma delas, e usando ferramentas diferentes, melhoramos a relação com o nosso crítico interno e reconectamos com a nossa criança interior. E aqui, temos de fazer uma pausa para ver com mais detalhe o que é isso de melhorar a relação com crítico interno e reconectar com a criança interior. Para começar, gosto de imaginar que somos feitos de diferentes partes. No livro “Não há partes más” de Richard C. Schwartz (deixarei o respectivo link nas notas do episódio) o autor apresenta um modelo de vida interior constituído por um sistema de partes, todas diferentes, que nos compõem. O autor chama-lhe algo como “Sistemas Familiares Internos”, ou seja, como se dentro de nós houvesse várias facetas que servem diferentes funções na nossa vida. Todos temos certas partes que nos são comuns, como o crítico interno e a criança interior, mas depois, cada um de nós, tem algumas outras partes que têm que ver com as nossas circunstâncias pessoais e experiência de vida. Cada uma dessas partes cumpre uma função dentro de nós; por vezes, temos partes com um papel mais dominante do que deviam, e isso provoca algumas dificuldades e bloqueios na nossa vida. Como vos dizia, duas dessas partes que todos nós temos, ou melhor dito, que cada uma de nós tem dentro de si, são o crítico interno e a criança interior. Comecemos pelo crítico interno e pelo papel que ele representa dentro de nós. O crítico interno é relativamente fácil de identificar. Sabem aquela voz que temos dentro da nossa cabeça e que parece que vai fazendo comentários a tudo o que fazemos? Confesso-vos: a voz do meu crítico interno estava sempre presente, dou-vos um exemplo. Imaginem o cenário: estava a fazer um bolo e deixava cair um bocadinho de farinha fora da tigela. A voz do meu crítico, dentro da cabeça, dizia logo: “ai que desajeitada. Agora vais ter mais trabalho a limpar tudo. Se tivesses feito direitinho desde o início…” Sabem qual é? Todas nós temos uma voz parecida com esta dentro da nossa cabeça. Mas não desmereçamos o crítico interno, pois ele tem um papel muito importante para a nossa sobrevivência. A função do crítico interno é proteger-nos, e portanto, sempre que acha que estamos a correr riscos, levanta a sua voz dentro da nossa cabeça. O que é que acontece? Acontece que o crítico interno não sabe distinguir entre riscos reais e verdadeiros para a nossa sobrevivência e riscos para o nosso ego. Por isso, quando estou a fazer um bolo e me cai um bocado de farinha na bancada, ele salta logo. Na verdade, aquele disparate só é um risco para o meu ego, pois ao não acertar com a farinha dentro da tigela, estou a dizer ao ego que às vezes cometo erros. E cometer erros, para o ego, é muito assustador. Daí que o nosso crítico salte logo, levante a sua voz, e nos encha a cabeça de frases que muitas vezes são ácidas, no mínimo, podendo ser até tiranas. Sabendo que o crítico interno cumpre a função de nos proteger, mas que é, talvez, hipersensível e salta à mínima coisa, entendemos que não queremos calar completamente a sua voz, mas sim modulá-la. Para melhorar a relação com o nosso crítico interno, temos de lhe ir ensinando, com calma, paciência e muita repetição, que a maioria dos riscos que o fazem entrar em actividade são apenas riscos para o ego, e não para a nossa sobrevivência. E que sendo só riscos para o ego, não é preciso que o crítico se inflame, pois nada de verdadeiramente grave nos poderá acontecer por corrermos aqueles riscos. Já a criança interior é uma parte que fala muito menos, que se resguarda muito, e que foi ficando, digamos, “enterrada”, debaixo das camadas de acontecimentos, circunstâncias da vida, obrigações e compromissos, logística familiar. Confesso-vos: imagino a criança interior como aquele ervilha que fica debaixo de vinte colchões na história da princesa e da ervilha, sabem? Aquela princesa que não consegue dormir porque debaixo do colchão está uma ervilha que a incomoda. No caso, imagino a nossa criança interna a querer ver a luz do dia, mas debaixo de camadas e camadas de obrigações, compromissos e logísticas. É natural que haja pouco tempo para trazer a criança interna à luz do dia quando temos de pensar no que vai ser o jantar. A criança interior é aquela parte de nós que guarda os nossos sonhos de infância, que guarda aquilo que desejámos, e que entretanto esquecemos. É a parte de nós que adora brincar e que quer vir à superfície contar-nos o que queríamos ser quando fôssemos grandes, para que hoje possamos encontrar aquelas actividades que nos fazem sonhar e nos fazem brincar. Voltar a conectar com a criança interior não acontece de forma contínua, nem em banda larga. Contrariamente ao crítico interno, a voz da criança interior não se faz ouvir continuamente dentro da nossa cabeça. Reconectar com a criança interior é mais parecido a quando pegamos num busca-pólos e estamos à procura do pólo positivo nas tomadas. Quando o encontramos, brilha fugazmente uma luzinha no nosso busca-pólos, assim como uma centelha que brilha, mas que logo se esconde. (Aqui entre nós que ninguém nos ouve, nota-se logo – com esta metáfora de busca-pólos – que estudei electrotecnia quando era miúda!) Reconectar com a criança interior, por fugaz que seja, traz-nos uma sensação electrizante e revitalizante. Relembra-nos, por instantes que seja, aquela alegria de fazer algo que nos encanta, mesmo que não saibamos porquê. Baixar o volume da voz do crítico interno e reconectar com a criança interior é o que fazemos em cada uma das minhas formações, usando, em cada uma, ferramentas diferentes. No Desenhamos Juntas, por exemplo, usamos o desenho de observação para ir fazendo exercícios que nos desafiam. Ao serem desafiantes, o ego pode sentir-se ameaçado, e cada exercício serve também para praticar baixar a voz do crítico interno. Ao superarmos os desafios em conjunto, ao nos entregarmos ao prazer de desenhar, reconectamos também com a centelha da criança interior. Lá está, o busca-pólos encontra o pólo positivo. Confesso-vos: parece magia! No Workshop de Procrastinação, entendemos o papel que o crítico interno tem quando nos põe a adiar algo. E também entendemos que o mecanismo da procrastinação é uma óptima mensagem da nossa criança interior, porque se adiamos algo, a maioria das vezes é porque esse algo é muito mais importante para nós do que poderíamos imaginar à partida. No programa principal, o Conectar para Liderar(-me), temos um currículo de doze semanas em que usamos várias ferramentas para distinguirmos a acção do nosso crítico interno, e assim melhorarmos a relação com ele; e criamos um espaço privilegiado para a reconexão com a criança interior. Ao longo do programa, as participantes contam-me que vão desbloqueando temas que estavam estancados nas suas vidas há muito tempo e que passam a ver a vida com outras lentes, mais a cores. Confesso-vos: da primeira vez que lancei o programa Conectar para Liderar(-me) e me sentei, uma sexta-feira, para facilitar a sessão com um grupo incrível de participantes, percebi que aquele era o lugar onde tinha de estar. Foi uma emoção tão avassaladora perceber que estar em grupo, com mulheres maravilhosas e poderosas, que naquele momento se encontravam num ponto de inflexão da sua vida, e que juntamente comigo co-criaram aquelas sessões e aquela transformação… olhem, ainda hoje me deixa arrepiada. No próximo Outono (ou Primavera, para quem estiver no hemisfério sul), será a próxima sessão de Conectar para Liderar(-me). Esta edição verá, pela primeira vez, uma versão ampliada do programa. Inicialmente com seis módulos, percebi, com a repetição, que precisávamos de mais tempo: por um lado, para introduzir um módulo completamente novo sobre marcar e estabelecer limites que protegem o nosso espaço interior; por outro, desdobrar alguns módulos, por exemplo o da procrastinação, que precisava de mais tempo para irmos ainda mais fundo. De maneira que estou muito entusiasmada com esta próxima edição do programa que nos ajudará a recentrar em nós próprias, melhorar a relação com o crítico interno, voltar a conectar com a centelha da criança interior, para uma vida mais feliz, mais confiante, com mais cor, alegria e serenidade. Não sei se dá para notar mas estou mesmo, mesmo entusiasmada e desejosa de vos ter lá. Entretanto, as inscrições para o Conectar para Liderar(-me) abrirão no regresso às aulas, pelo que, até lá, ainda temos muitos processos internos para fazer, muita arrumação de casa para fazer. E, sabem que mais? Muito pousio, também, para fazer, porque o Verão está à porta e a pausa estival é fundamental para descansar, para depois podermos voltar ao trabalho cheias de energia e criatividade. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrevê-los na tua plataforma preferida de podcasts, ou então assinarr a newsletter em airdesignstudio.com para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. The post Episódio 46. 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