Neste episódio trago a crítica à definição corrente de Mito, que pode ser bastante limitada, até eurocêntrica. Acaba por projetar uma estrutura histórica muito específica, a da Europa pós-medieval, com a sua relação complexa entre igreja e Estado, sobre uma diversidade enorme de formas narrativas que existem ou existiram pelo mundo fora. Trago uma história muito particular da Antiguidade, o anúncio da morte de Pan. No vasto e imortal panteão greco-romano, repleto de deuses que vivem para sempre, a única divindade de grande relevo cuja morte foi formalmente anunciada, segundo um relato famoso de Plutarco, foi Pan. O deus dos bosques, dos pastores, da natureza selvagem, da fertilidade, mas também do pânico, do instinto cru. Uma figura profundamente ligada ao lado indomável, cíclico e terreno da existência. Pan não é apenas um deus da natureza selvagem, mas o próprio princípio do mito selvagem ecológico. Ele é terreno, sensual, musical, um pouco caótico, definitivamente mortal, ou pelo menos cíclico, sazonal. Talvez a sua morte tenha sido um feitiço narrativo lançado sobre o mundo. Outros artigos e livros: O Santuário – Ensaios sobre Eco-Mitologia Cartografia do livro “O Santuário” – Parte 1 E se o Mito nos Observa? Activismo Eco-Mítico Mitologia Crua Somos Filhas do Mito e Herdeiras dos Sonhos Literacia do Mistério