Resiliência moderna ou adaptação em sintonia com a Terra? O Younger Dryas foi um período da história geológica da Terra que ocorreu entre 12.900 e 11.700 anos atrás, caracterizado por rápidas glaciações e temperaturas congelantes, que alteraram os padrões climáticos, impactando profundamente os ecossistemas e os modos de vida. Há algum tempo, tenho pensado e imaginado a diferença entre a adaptação das culturas durante as profundas mudanças ambientais do Younger Dryas, em contraste com a expectativa atual de resiliência de que a tecnologia, numa exigência antropocêntrica e arrogante, irá salvar-nos — ou, pelo menos, alguns de nós, afirma o pensamento reducionista colonial moderno. Estou a tentar identificar elementos contrastantes na psique moderna ao comparar a «resiliência moderna» com a «adaptação em sintonia com a Terra». Isto é importante porque revela vulnerabilidades nas atitudes emocionais e institucionais em relação à atual policrise e colapso. O que é preciso desaprender aqui não é apenas a ideia de que a tecnologia nos salvará — é a necessidade mais funda de que algo nos salve sem nos transformar. A “resiliência moderna” alimenta-se dessa fantasia: a de que podemos atravessar o colapso mantendo intactos os nossos modos de vida, apenas mais eficientes, mais inteligentes, mais controlados. Mas isso é recusar ouvir o gelo a rachar. Desaprender, neste contexto, é abandonar a adição ao controlo, à previsibilidade e à centralidade humana; é largar a crença de que o mundo é um sistema a gerir e não um campo vivo ao qual pertencemos. É também encarar que aquilo que chamamos colapso pode ser, para a Terra, apenas mudança — e que o verdadeiro perigo talvez não seja a instabilidade, mas a nossa incapacidade de nos tornarmos outros com ela. Desaprender, então, não é adquirir novas respostas, mas suportar a perda de chão suficiente para voltar a escutar — não como engenheiros da sobrevivência, mas como corpos em relação, dispostos a ser ensinados por aquilo que não controlam.