
Vivemos cercados por discursos de autoestima, autocuidado e “amor próprio” — mas por que, então, nunca foi tão difícil sustentar uma boa relação com quem somos? Neste episódio, partimos de O Mal-Estar na Civilização, de Sigmund Freud, para pensar como o sofrimento, que é estrutural à vida em sociedade, vem sendo capturado e transformado em produto. A indústria da estética não elimina o mal-estar — ela o administra, mantendo o sujeito em uma busca infinita por adequação. Falamos sobre redes sociais, filtros, tecnologia e os efeitos psíquicos de se comparar constantemente com imagens irreais. Discutimos também como a baixa autoestima não é apenas uma questão individual, mas atravessada por uma cultura que exige performance, aparência e constante melhora, como aponta Byung-Chul Han. Por fim, abordamos o envelhecimento como um fenômeno não só biológico, mas cultural — e como a recusa em lidar com o tempo pode nos afastar ainda mais de nós mesmos. Um episódio para questionar: até que ponto o que você sente sobre si é realmente seu… e quanto disso foi produzido para que você nunca se sinta suficiente?