
Episódio
Existe uma forma sofisticada de exclusão que não usa correntes nem decretos. Ela usa categorias. Ela usa a palavra todos. Neste segundo episódio da Série Interseccionalidade, a gente vai além da origem do conceito e entra no terreno onde ele revela sua verdadeira potência — e também seus limites. O que acontece quando as instituições só enxergam uma dimensão da experiência humana de cada vez? Por que uma lei pode ser justa para uns e invisível para outros? E como o Brasil encarna, na carne, tudo o que a teoria descreve? Passamos pelo problema do universalismo e sua promessa generosa que pode esconder desigualdade, pela mecânica da subinclusão e superinclusão, pelas três formas de interseccionalidade identificadas por Kimberlé Crenshaw — estrutural, política e representacional — e pelos casos concretos da violência obstétrica, do trabalho doméstico e da expectativa de vida de 35 anos de mulheres trans negras no Brasil. No final, a filosofia nos coloca diante de uma pergunta que não tem resposta fácil: ao tentar compreender todas as dimensões da experiência humana, corremos o risco de perder aquilo que ainda escapa a qualquer categoria? Para aprofundar: Interseccionalidade (Patricia Hill Collins e Silma Bilge): https://amzn.to/4uyBfN0 Pensamento Feminista Negro (Patricia Hill Collins): https://amzn.to/4nlrWxq Inessential Woman (Elizabeth Spellman): https://amzn.to/4d7bWug Bem Mais que Ideias (Patricia Hill Collins): https://amzn.to/4uZPACD