
Do convento medieval fundado em 1247 à fábrica têxtil, fábrica de massas e, finalmente, centro cultural, o Convento de São Francisco é um verdadeiro sobrevivente da história — adaptou-se a tudo, menos talvez às expectativas criadas em 2016. A reabilitação milionária trouxe um espaço com condições raras em Portugal, capaz de receber ópera, grandes concertos ou dança internacional, e nos primeiros tempos até deu sinais de vida com casas cheias e nomes sonantes. Mas depois entrou em cena o clássico enredo coimbrão: instabilidade, direções relâmpago e decisões difíceis de explicar. Em vez de afirmação consistente, assistiu-se a um carrossel de programações e a um progressivo esvaziamento de ambição — curioso para um equipamento pensado para jogar na “Champions League” cultural, mas que muitas vezes parece contente em disputar o campeonato distrital. Dez anos depois, o balanço fica agridoce: há infraestrutura, há histórico, há potencial mais do que suficiente… falta é visão contínua e coragem para o usar a sério. Porque, no fundo, Coimbra conseguiu o mais difícil - construir o palco - e tropeça sempre no mesmo: decidir o que fazer com ele.