
Episódio
Quando um médico diz que você tem um transtorno, ele está descobrindo algo que já existia na natureza... ou nomeando algo segundo os valores da sua época? Neste episódio, entramos num dos debates mais profundos da filosofia da medicina: a doença é um fato objetivo do corpo — ou uma construção atravessada por cultura, poder e normas sociais? Por décadas, a homossexualidade foi catalogada como doença mental. Havia um diagnóstico chamado drapetomania, que descrevia a suposta loucura dos escravos que fugiam do cativeiro. Hoje, discutimos se tristeza é depressão, se agitação infantil é transtorno, se timidez é fobia social. Exploramos o confronto entre naturalismo e construtivismo, a armadilha de confundir saúde com funcionalidade, a medicalização da existência e o corpo como campo político — com Boorse, Canguilhem, Foucault, Szasz e outros como guias. Porque o problema não é apenas tratar doenças. É decidir o que será chamado de doença. 🦉 Odisseia Filosófica — Filosofia como arte de viver.