
Episódio
A trajetória de Rangel Taveira rumo à aprovação na Polícia Penal do Acre reúne concurso público, aprovação em concurso, rotina de estudos, motivação para concursos, carreira na segurança pública, superação e persistência.O aluno Gran Rangel Taveira tinha 11 anos quando perdeu o pai, o provedor da casa. A mãe precisou sair para trabalhar, e ele cresceu cedo: ainda aos 11 começou a trabalhar sem abandonar a escola. Vieram os ônibus lotados, a marmita na mochila, dias que começavam às cinco da manhã e terminavam perto da meia-noite. Mesmo assim, entrou na faculdade de Contabilidade e aprendeu cedo que nada viria fácil.Foi porteiro, frentista, professor, motorista de aplicativo. Mas existia um sonho antigo: inspirado pelo pai, ex-combatente da Guerrilha do Araguaia, nunca abandonou a vontade de seguir carreira na segurança pública. Então decidiu entrar no mundo dos concursos. O concurso virou esperança de estabilidade e mudança de vida.E estudava como dava. Assistia às aulas no celular, revisava PDFs, resolvia questões e seguia uma regra simples: sobrou tempo, ele estudava. Só que o caminho foi duro. Vieram reprovações, desemprego, dificuldades financeiras, críticas e dúvidas. Pessoas desacreditaram, o casamento acabou e, depois de tantas tentativas, até ele começou a se perguntar se realmente era capaz.Mesmo assim, continuou. Vendeu carro, moto e uma pequena chácara. Quando surgiu a chance da Polícia Penal do Acre, já não tinha praticamente mais nada. O último bem foi vendido para custear a ida ao curso de formação. Chegou ao Acre sem dinheiro, contando com ajuda para sobreviver.E foi ali que recebeu a notícia mais dura: a mãe havia sido diagnosticada com três tumores cerebrais. Cerca de três meses depois, conseguiu vê-la. Chegou em um domingo. Na quarta-feira, ela morreu. Mas, antes disso, conseguiu dizer a ela que tinha conseguido. Tinha se tornado policial.