
Episódio
O centro de Mc 5,1-12 é este: nenhuma força do mal é maior do que o desejo de Deus de libertar o ser humano. Onde todos veem alguém perdido, Jesus vê alguém que pode ser restaurado. Jesus chega à região dos gerasenos e encontra um homem possuído por uma legião de espíritos impuros. É uma cena dura: ele vive entre os túmulos, isolado, ferido, acorrentado por fora e por dentro. A sociedade já desistiu dele. Mas Jesus não desiste. O homem corre ao encontro de Jesus — mesmo dominado pelo mal, há dentro dele um grito por libertação. E Jesus, com autoridade serena, ordena que os espíritos saiam. Aquele que ninguém conseguia controlar é libertado pela palavra de Cristo. Aquele que vivia entre os mortos volta à vida. Todos nós temos áreas da vida que parecem “terra dos gerasenos” — lugares de dor, de desordem, de medo, de feridas antigas. Às vezes nos sentimos acorrentados por hábitos, culpas, pensamentos que nos machucam. E, como o homem do Evangelho, podemos até acreditar que não há saída. Mas Jesus atravessa o mar para encontrar justamente esse homem. Ele atravessa também o nosso caos. Ele não tem medo da nossa escuridão. Ele entra nela para nos devolver a dignidade, a paz, a liberdade. A pergunta que fica é profunda: Tenho deixado Jesus entrar na parte da minha vida que mais precisa de libertação? Ou continuo vivendo entre “túmulos”, preso ao que já deveria ter morrido? Que este Evangelho nos ajude a confiar que nenhuma corrente é forte demais para Cristo, e que Ele sempre vê em nós mais do que nossas feridas — vê um filho amado que pode recomeçar.