
Olá! Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação". “Está? Estou sim? Sou a tua criança interior e preciso que oiças uma coisa.” Seria bom que a criança interior nos falasse assim com esta clareza, assim como quem pega no telefone e transmite o seu pedido. Só que a criança interior não nos fala assim, até porque, bem vistas as coisas, a maioria das vezes nós não lhe prestamos atenção e ela vai tendo que subir progressivamente o tom até… puf, até estourar. Neste episódio mencionamos: Rebecca Campbell Episódio 48. A voz que te sabota tem nome Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias. Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. “Está? Estou sim? Sou a tua criança interior e preciso que oiças uma coisa.” Seria bom que a criança interior nos falasse assim com esta clareza, assim como quem pega no telefone e transmite o seu pedido. Só que a criança interior não nos fala assim, até porque, bem vistas as coisas, a maioria das vezes nós não lhe prestamos atenção e ela vai tendo que subir progressivamente o tom até… puf, até estourar. A criança interior vive dentro de nós, alojada num recanto escondido da nossa alma, ou do nosso íntimo. Eu imagino-a a viver dentro de uma gruta bem recôndita. O ambiente dentro da gruta é acolhedor e quentinho, mas a gruta está mesmo, mesmo muito escondida. E por isso, tudo o que ouvimos da nossa criança interior são pequenos murmúrios, pequenos “sussurros da alma”, como diz Rebecca Campbell, autora de vários livros e do meu oráculo favorito. Vou pôr uma foto do oráculo no meu site, em airdesignstudio.com. Imagino muitas vezes que quando conseguimos estabelecer uma ligação à nossa criança interior é parecido a quando usamos um busca-pólos para procurar a fase positiva numa tomada eléctrica: acende-se uma luzinha incerta, mas brilhante. E no nosso corpo isso sente-se como uma sensação de fluir, de flutuar, a que os anglófonos deram o nome de “flow”. Quando nos conectamos com a nossa criança interior, sentimos esse enlevo no corpo, como se fôssemos transportadas por uma corrente que nos leva na direcção que desejamos sem fazer o menor esforço. É maravilhoso. Maravilhoso, porém, fugaz, e muitas vezes difícil de conseguir. A criança interior vive resguardada dentro da sua gruta e é preciso fazermos silêncio e criar o ambiente certo para que ela possa comunicar connosco e para que nós a possamos ouvir. Sim, porque ela vai comunicando connosco, mas muitas vezes nós não a ouvimos. Ora vejam: ela começa por nos mandar mensagens subtis, depois começa a popular os nossos sonhos, mas disfarçada, ou contando uma história que talvez não reconheçamos. Por vezes, começamos a sentir uma vontade, algo que nos empurra numa direcção, mesmo não sabendo bem o que procuramos, ou o que desejamos. Às vezes há qualquer coisa que nos chama a atenção, um anúncio no jornal, ou um néon numa fachada, ou outro indício qualquer de que há ali uma ponta da meada que queremos deslindar, provavelmente sem termos essa noção. Digamos que seguir os sussurros da nossa alma pode ser quase um jogo de pistas, em que vamos puxando por um fio que nos vai conduzindo, por vezes de forma bem rocambolesca, em direcção a algo que depois, a posteriori, percebemos que era o que tínhamos de procurar, era a nossa missão de vida, era o nosso propósito. A posteriori, ou como dizem os argentinos, “com o jornal de segunda-feira”, fica mais fácil! Mas vezes há em que nós começamos a sentir esta pulsão mas não lhe fazemos caso, seja por que razão for. Por vezes podemos achar que essa coisa que nos está a atrair pode ser fútil, ou pode ser contra aquilo que achamos que somos. Confesso-vos em jeito de exemplo disto: eu sempre achei que era uma autêntica tábua a dançar, e no entanto, quando ultrapasso as minhas barreiras auto-impostas de “que horror, não tenho jeito nenhum, pareço uma tábua”, e começo a dançar, aí eu sinto-me óptima! Outras vezes, e aproveitando o exemplo da dança, simplesmente o dia está demasiado ocupado para retirar cinco minutos para dançar. Como assim, pôr-me a dançar quando é preciso ir ao supermercado, estender a roupa e tratar do jantar? Então, a minha criança interna manda-me mensagens, eu ignoro-a sistematicamente, e aí ela começa a mandar mensagens, digamos, mais enfáticas. Em código, é certo, mas mais enfáticas. A mim aconteceu-me, por exemplo, um dia acordar cheia de tonturas e não conseguir fazer nada a não ser ficar de cabeça apoiada e de olhos fechados. Não houve jantar, não houve estender a roupa, não houve ir ao supermercado, porque simplesmente não consegui. É que, já percebi, a minha criança interior precisa de tempo, precisa de espaço e precisa de uma mente e um corpo cuidados e não exauridos para poder comunicar comigo. No fundo, a minha criança interior precisa de mim, e eu preciso dela. Ela é a guardiã dos meus sonhos e dos meus desejos mais profundos. Eu preciso que ela me guie, porque os meus sonhos e desejos mais profundos são também pistas para eu conhecer qual o meu propósito, qual a minha missão nesta vida e neste mundo. A minha criança interna é a minha bússola para eu dar o meu melhor contributo às pessoas que me rodeiam. E ela precisa, da minha parte, que eu faça tempo e silêncio para a ouvir. Digamos que é uma relação simbiótica entre nós: eu preciso da minha criança interior, e ela precisa de mim para poder trazer ao mundo aquilo que ela me está a dizer. Sucede que no caminho para a tal gruta bem recôndita onde vive a minha criança interior existe uma outra parte de mim que é o crítico interno. Penso que foi no episódio 48 que vos contei que lhe dei o nome de Dona Rosete, e eu imagino-a assim com rolos no cabelo, de avental e bata, de onde pende um pano da loiça sempre pronto a usar. Uma figura dedicada e trabalhadora, mas muito exagerada no seu desejo de me proteger. Aliás, os nossos críticos internos, Donas Rosetes ou qualquer que seja o nome que lhes desejem dar, têm essa função: proteger-nos de todo e qualquer risco. Qual é o problema: é que os nossos críticos internos não distinguem riscos reais, daqueles que podem ameaçar as nossas vidas, dos riscos para o nosso ego, ou seja, qualquer coisa que possa ameaçar ligeiramente o nosso ego. E tudo pode ameaçar o nosso ego, desde dançar, como vos contei acima, até desenhar. Para o nosso crítico interno, e para a minha Dona Rosete, é muito ameaçador eu ousar fazer qualquer coisa à qual não estou habituada, ou na qual possa “passar vergonha”, e escrevo “passar vergonha” entre aspas. Como eu sinto que sou pouco ágil a dançar, a Dona Rosete entra logo em acção para me dizer, “ó filha, fica sossegada, então mas que figuras vêm a ser estas?” de cada vez que eu me proponho dançar. Então eu tenho duas opções: na opção A, eu acato o que ela me diz e deixo de dançar para não “passar vergonha”, dado que não sou especialmente ágil a dançar. Ou então, opção B, ouço e digo-lhe que mesmo assim quero dançar, mesmo sabendo que posso fazer figuras ridículas, e depois danço e colho os benefícios de dançar. A opção B, ouvir e fazer na mesma, é aquela que eu tento fazer mais vezes, porque senão a minha vida ficaria demasiado limitada. Porque para a Dona Rosete tudo é arriscado, e se eu lhe der ouvidos não faço quase nada. Quando comecei a tocar cavaquinho, tive a voz da Dona Rosete muito activa dentro da minha cabeça: “ai filha, olha lá que esses dedos não conseguem passar de um acorde para o outro, fica sossegada, filha”. Mas tentei superar o desconforto de estar a aprender uma coisa nova e tentei abraçar a parte divertida de ser principiante: praticamente podia sentir novas conexões neuronais a formarem-se no meu cérebro enquanto tentava passar os dedos da mão esquerda de ré para si bemol. E há lá coisa melhor que isto? Enquanto tocava – ou tentava tocar – cavaquinho, havia uma centelha que se acendia lá dentro, uma sensação de alegria, quase de euforia, e era a minha criança interior a dar sinal. Ela sempre gostou de música, sempre gostou do efeito que a música tem em mim, ou em nós, e sempre me foi mandando pistas que a música tem de fazer parte da minha vida para me trazer cor, alegria, satisfação e desfrute. E então tento incorporar estes momentos na minha vida, dançando, tocando cavaquinho (de forma sofrível, mas é muito libertador poder tocar de forma sofrível e, mesmo assim, desfrutar tanto). Voltando ao início, seria bom que a nossa criança interior pudesse pegar no telefone e ligar-nos. Mas, não podendo, o que nós queremos é praticar essa conexão com ela para podermos ouvi-la em banda larga. Porque ela tem as respostas que nós procuramos, ela sabe o que nos vai fazer viver melhor a vida que temos, e ela guarda os nossos desejos mais profundos. A nossa criança interior guarda dentro de si o nosso propósito, a nossa missão de vida, e, se nós a ouvirmos, ela está pronta a revelar-nos os seus tesouros, desde que nós estejamos abertas e receptivas a ouvi-los. A nossa criança interior precisa de nós, e nós precisamos da nossa criança interior para uma vida mais colorida, mais plena, vivida mais a cores. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrevê-los na tua plataforma preferida de podcasts, ou então assinarr a newsletter em airdesignstudio.com para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. The post Episódio 54. “Está lá? Daqui fala a tua Criança Interior.” first appeared on air | illustration + design + creativity.