
Olá! Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação". Hoje quero levar-te comigo numa viagem não a um país distante, mas a uma situação bem concreta em que muitas de nós, para não dizer todas, já nos encontrámos em algum momento da vida. Neste episódio mencionamos: “Playing Big”, de Tara Sophia Mohr Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Hoje quero levar-te comigo numa viagem não a um país distante, mas a uma situação bem concreta em que muitas de nós, para não dizer todas, já nos encontrámos em algum momento da vida. Sobe para cima deste tapete voador e vamos deslizar pelos ares até àquele momento em que foste finalmente fazer uma aula experimental de dança. Uma aula de dança, qual será o problema, poderás estar a perguntar, e eu vou contar-te qual é o problema para mim: na minha cabeça, sempre me considerei uma tábua a dançar. Aliás, viajando no tempo e no espaço, vou até àquela colónia de férias em que me inscrevi numa aula de dança para depois tentar muito seguir os passos e só conseguir tropeçar nas pessoas ao meu lado, porque quando elas davam dois passos à esquerda, eu dava dois passos à direita, e a formação colapsava ali. Então viemos a esta aula de dança, em que estou a tentar ao máximo seguir os passos, mas com pouca capacidade, em que dos três movimentos faço um, e já não é mau, em que olho para os espelhos e vejo toda a gente a mexer-se como se fossem feitos de água, com uma fluidez que desmente a sua constituição de carne e osso, e lá estou eu, rígida, mais parecida com uma boneca de… nem de borracha, mas sim de madeira. De madeira mesmo. Estou nessa aula, a tentar, a tentar, e tenho o meu crítico interno aos gritos. Grita-me todas estas coisas que vos descrevi, e mais umas quantas novidades, sempre muito ácidas. O meu crítico interno está tão activo que já nem sei o que fazer, nem o que dizer. Sorrio sempre e rezo para que o tormento termine. Saio dessa aula com uma certa sensação de confirmação das minhas suspeitas: “eu não nasci para a dança, não é?”, penso eu com os meus botões. A Dona Rosete, meu crítico interno, lá está de bata e avental com o pano da loiça na mão e os rolos no cabelo e diz-me: “ó filha, mas eu não te tinha dito que era péssima ideia?” E eu estive vai-não-vai para cancelar a aula de experiência, mas não cancelei. E ainda bem. Porque fui. Porque me mexi, porque me ri, porque me diverti, por muito descoordenada que seja, e por muito que tenha tropeçado nos meus companheiros. A verdade é que me ri, o meu corpo mexeu-se e desfrutou, e lá no meio dos gritos da Dona Rosete eu encontrei momentos de pura alegria quando determinados movimentos foram mesmo coordenados com a música que estávamos a ouvir. Podia ter corrido melhor? Podia, sim senhora. Podia ter corrido pior? Também. Mas o que seria mesmo, mesmo mau era se me tivesse negado à partida a oportunidade de ir, de me mover, de desfrutar. Quando estamos nas sessões de Desenhamos Juntas, e eu tenho a câmara do telemóvel mesmo em cima das minhas mãos, a filmá-las a pintar no caderno, tenho a Dona Rosete aos gritos. Está constantemente a chamar-me a atenção de cada vez que a minha mão treme (e treme muito), pergunta-me muitas vezes quem eu penso que sou para estar ali a “ensinar” às pessoas como é que se desenha e como é que se pinta. Diz-me que se as minhas mãos tremem assim tanto, eu deveria estar sossegada e não inventar maneiras de pintar à frente das outras pessoas, enfim, seria uma festa se aquilo que a Dona Rosete me diz fosse agradável. Mas não é. É ácido, e aponta directamente aos pontos mais vulneráveis do meu coração. Bem, mas quando o nosso crítico interno está assim, que devemos fazer? A tentação, claro, é ouvir o que nos diz e parar imediatamente o que quer que seja que estamos a fazer, para ver se ele pára de gritar aquelas coisas tão desagradáveis. Mas esse é um caminho aparentemente fácil, mas, na realidade, muito lamacento. E lamacento porquê? Porque nos vai prender, cada vez mais. As palavras que a Dona Rosete diz, se eu lhes fizer caso, vão-me prender. Vão convencer-me de que eu não devo estar a pintar à frente de ninguém, e muito menos criar um espaço em que desenhamos juntas, eu e outras mulheres que também querem desenhar e não sabem por onde começar. Muitas vezes fiz caso às palavras da Dona Rosete, e de algumas vezes arrependo-me amargamente. Mas, gradualmente, e depois de entender o papel que a Dona Rosete, o nosso crítico interno, tem dentro de nós, é mais fácil mostrar compaixão pelos seus sentimentos, ao mesmo tempo que lhe dizemos com firmeza que queremos continuar a fazer seja o que for que estamos a fazer. Nas sessões de Desenhamos Juntas, partilho alto, com as outras participantes, aquilo que me diz a Dona Rosete. Confesso-vos: ao princípio, tinha algum pudor de o fazer, talvez quisesse passar uma imagem minha mais sólida, ou mais polida, estando no meu papel de facilitadora da sessão. Mas as participantes do Desenhamos Juntas são maravilhosas, mesmo, e o ambiente que geramos em conjunto é de vulnerabilidade e confiança, de círculo sagrado e protegido. E, ao partilhar aí as palavras da Dona Rosete, acontece uma coisa extremamente curiosa, que muito me surpreendeu. Não é que a Dona Rosete não fale, porque fala, e continua a falar muito e com palavras por vezes bem ácidas. É só que aquilo que ela diz já não me afecta tanto. É curioso: é como se me tivesse habituado à sua presença e as coisas que diz já não me tocam, não me abalam. Não me abalam tanto, deixem-me acrescentar. Entender o papel que a Dona Rosete tem dentro de mim é um processo que tenho vindo a fazer desde há muitos anos. A primeira vez que ouvi falar no crítico interno foi quando, em 2012, fiz a mentoria “Playing Big” de uma coach norte-americana chamada Tara Sophia Mohr. Esta coach continua a oferecer este curso, e tem também um livro com o mesmo nome que muito recomendo, e vou deixar links para tudo nas notas deste episódio. Quando penso nesse momento da minha vida, e me lembro dos primeiros passos a trabalhar a minha relação com o crítico interno, e comparo com o dia de hoje, e a minha actual relação com a Dona Rosete, vejo o salto quântico que dei, não propriamente em grandes passos em frente, mas sim num caminho cheio de pequenos passos, dados consistentemente, com avanços e recuos. Mas hoje, a diferença é imensa. No Desenhamos Juntas, descobri que dizer em voz alta o que me diz o crítico interno e partilhá-lo com as participantes é o melhor antídoto para o seu veneno: é como se se desfizesse um feitiço que antes tinha o poder de me fazer agir de outra maneira, uma maneira mais cautelosa, mais contida. E agora, desfeito o feitiço, penso na pena que teria se não tivesse estas sessões semanais que são um espaço privilegiado de pausa consciente, de brincadeira, de prazer e de partilha em círculo sagrado e seguro. Seria uma pena, pelo menos para mim, se um dia tivesse ouvido a Dona Rosete e não me tivesse animado a dar estas sessões de desenho ao vivo. Nos últimos anos, descobri mais uma função essencial da Dona Rosete, ou do crítico interno. Para além de querer proteger o nosso ego a todo o custo de toda e qualquer situação que o possa pôr em perigo, a Dona Rosete também está firmemente plantada no caminho que leva à minha criança interior. Na verdade, quanto mais alto ela fala, mais eu sei que me aproximo da minha criança interior. Quanto mais alto fala a Dona Rosete, mais eu sei que me aproximo dos meus próprios sonhos e desejos, mais eu sei que isto que me proponho fazer é importante para mim e para a minha criança interior. E portanto, o crítico interior tem um papel fundamental dentro das nossas cabeças: tem o papel de proteger o nosso ego de todo e qualquer risco e, de uma maneira retorcida, indica-nos quando nos aproximamos dos nossos verdadeiros sonhos, da nossa verdadeira missão nesta vida. Assim fica mais fácil sentir empatia pela Dona Rosete, mesmo quando o que ela diz dentro da minha cabeça está longe de ser agradável. Porque a Dona Rosete, a minha crítica interna, está lá para me proteger. E, em jeito de psicologia “ao contrário”, guia-me em direcção à minha criança interior. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrevê-los na tua plataforma preferida de podcasts, ou então assinarr a newsletter em airdesignstudio.com para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. The post Episódio 56. Quando o crítico grita mais first appeared on air | illustration + design + creativity.