
“(10) Foi a respeito desta salvação que os profetas indagaram e inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros destinada, (11) investigando, atentamente, qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a Cristo e sobre as glórias que os seguiriam. (12) A eles foi revelado que, não para si mesmos, mas para vós outros, ministravam as coisas que, agora, vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho, coisas essas que anjos anelam perscrutar.” Já sabemos que Pedro escreve esta carta para os eleitos dispersos nas regiões do Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, por causa da perseguição contra o evangelho. Entretanto, há algo curioso neste trecho. Pedro cita outras duas “classes”, digamos assim, do povo de Deus: os profetas do Antigo Testamento e os apóstolos contemporâneos de Jesus. Por que ele faz isso? Na verdade, a resposta é bastante simples: seu objetivo é evocar a autoridade e a história desses homens, para que os irmãos se sintam encorajados a manter suas convicções firmadas no evangelho, ainda que venham muitas provações e perseguições. Pedro nos traz à memória os profetas, que receberam de Deus as revelações acerca do evangelho e da salvação em Cristo, almejavam vê-las acontecer, mas não as puderam vivenciar. O objetivo desse exercício de lembrança é justamente para que entendamos e reconheçamos que isso não é motivo de frustração ou tristeza pelos profetas, mas de regozijo e alegria, pois essa graça foi a nós destinada. Ou seja, enquanto a graça de receber as revelações da parte de Deus e profetizar delas foi dada aos profetas, e aos apóstolos foi dada a graça de viver e testemunhar de Jesus e de seu sacrifício expiatório, a nós mesmos foi dada a graça de pregar esse evangelho que recebemos, graça essa que até mesmo “anjos anelam perscrutar” - que bela afirmação! Que grande privilégio temos! Portanto, talvez não sejamos os eleitos dispersos no Ponto, Galácia, Capadócia, mas certamente somos os eleitos dispersos no Rio de Janeiro, Ribeirão Preto, Uberlândia... dispersos no Brasil e no mundo. Com isso, saibamos que os sofrimentos virão e as glórias de Cristo os seguirão, mas resta a nós cumprir nossa missão graciosa: pregar o evangelho de Cristo para a salvação. Felipe Seabra