
Ora, quem é que vos há de maltratar, se fordes zelosos do que é bom? Mas, ainda que venhais a sofrer por causa da justiça, bem-aventurados sois. Não vos amedronteis, portanto, com as suas ameaças, nem fiqueis alarmados; antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor, com boa consciência, de modo que, naquilo em que falam contra vós outros, fiquem envergonhados os que difamam o vosso bom procedimento em Cristo, porque, se for da vontade de Deus, é melhor que sofrais por praticardes o que é bom do que praticando o mal. Talvez este seja o trecho mais significativo da primeira carta de Pedro em relação à resposta que os cristãos devem dar frente ao sofrimento. Pedro exorta-os a rebaterem as acusações de duas maneiras: a primeira é dando razão da fé, ou seja, mostrando em quê estavam alicerçados, deixando claro que não estavam brincando, porque sabiam no que criam. A segunda é sendo mansos, não perdendo a linha ao serem provocados; muito pelo contrário: o apóstolo insiste que, ao responder os acusadores, os cristãos deveriam agir de maneira amorosa, deixando que seu proceder não os condene. A seguir, Pedro endossa a ideia afirmando que, se for da vontade de Deus, é melhor que os crentes sofram praticando o bem, a praticarem o mal. Por vezes somos guiados a pensar que o sofrimento, a perseguição e a dor não podem fazer parte de nossas vidas. Geralmente nos armamos para magoar tanto quanto fomos magoados por quem nos persegue; contudo, não é assim que deve ser. É duro para todo ser humano, e mesmo para o cristão, enfrentar o sofrimento. Pedro está preocupado com a forma como seus irmãos lidariam com as adversidades; por isso o sofrimento é tema central de sua carta. No entanto, temos aprendido com o apóstolo que, longe de ser algo que foge ao controle, e que serve apenas para nos derrubar na caminhada, o sofrimento oferece uma imensa oportunidade. A oportunidade de respondermos como não esperariam que respondêssemos: com mansidão, amor e fé, na esperança de que mesmo a nossa dor possa servir como testemunho da gloriosa graça de Deus. Como diria o pastor John Piper: não desperdice o seu sofrimento. Gabriela Brito