
Leitura do poema Silêncio, do livro a Nudez da Palavra. Texto e leitura: Diana Lobo as palavras me vigiam enquanto não as escrevo, sou livre mas a elas cabem apenas protesto desejos ardentes de contaminação querem timbrar todos os papéis e manchar qualquer documento querem reverberar em fontes cursivas um sem fim de sentimentos mas enquanto permaneço calada entrelaçando os dedos como em caligrafia permaneço absolvida dos meus pecados que luto para que não tomem vida são as palavras que me consomem que fazem ensaios na minha cabeça batucando em tons cada vez mais altos vontades que não confesso e se sigo em silêncio fitando a folha branca vou me deitar imaculada segura na minha fortaleza meramente semântica