
🌾 A SEMENTE 477 (Sexta-feira, 16/04/2021)Meditações no Evangelho de João (92): De Quem é a Culpa?Leitura Bíblica: João 18:38-40Pr. Jenuan S. Lira Na sua breve interação com Jesus, Pilatos perguntou “que é a verdade?”, mas saiu sem ouvir a resposta. Aparentemente, ele não estava certo quanto à natureza absoluta da verdade, todavia, em relação à inocência de Jesus, não lhe restava qualquer dúvida. Assim, ele retornou para onde estavam os acusadores e disse: “Eu não acho nele crime algum.” Aqui, mais uma vez, Pilatos opta pelo uso explícito do pronome pessoal por motivo de ênfase. Embora João não registre todos os detalhes, quando Pilatos retornou para dar seu veredicto, trouxe consigo o SENHOR Jesus, e isso serviu de gatilho para que os principais sacerdotes apresentassem mais uma lista de severas acusações contra Ele. O silêncio de Jesus deixou Pilatos maravilhado e, de certo modo, frustrado. Apesar do pouco tempo de conversa com Jesus, Pilatos sabia que Ele tinha sabedoria suficiente para mostrar a falsidade das acusações que estavam sendo lançadas sobre Ele. Se Pilatos quisesse, ele mesmo teria elementos suficientes para defender o SENHOR, mas ele estava no papel de juiz e não de advogado. Tudo isso deve-se levar em conta, porém, acima de qualquer coisa, e até da própria livre determinação de Pilatos, estão as Escrituras, que não podem falhar. O silêncio de Jesus era profético, pois, em Isaias 53:7, está escrito: “Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca.” O silêncio de Jesus não era por falta de argumento, porém por obediência ao Pai. Ficar calado iria Lhe custar a vida, contudo, como o próprio SENHOR havia dito, Ele tinha sido enviado pelo Pai para essa hora. Acima de qualquer benefício pessoal, Jesus queria cumprir o plano de Deus, segundo o qual, à semelhança do grão de trigo lançado à terra, devia morrer para gerar nova vida (cf. João 12:23-28). Não precisamos observar muito para concluir que Pilatos tinha todos os elementos necessários para anular os argumentos dos acusadores, entretanto, seguindo uma linha de conduta completamente inesperada, ele disse aos principais sacerdotes: “É costume entre vós que eu vos solte alguém por ocasião da Páscoa; quereis, pois, que vos solte o rei dos judeus?” A pergunta é tão desprovida de sentido que chega a ser ridícula. O juiz está abdicando do seu dever de julgar segundo o que é reto e perguntando aos acusadores se eles gostariam de inocentar o acusado. Evidentemente, eles não queriam e, insistentemente, pediram que o delinquente Barrabás fosse favorecido no lugar de Jesus. Para onde quer que olhemos nessa história, uma verdade se destaca diante dos nossos olhos: “Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus…” (1Pedro 3:18). Em cada passo do julgamento, o justo está sendo condenado, e os injustos, considerados inocentes. Foi assim nos dias de Pilatos e continua sendo assim até hoje, cada vez que um pecador é perdoado por meio do sacrifício de Cristo. É verdade que Judas, Pilatos, os sacerdotes e a nação de Israel, todos devem receber sua parcela de culpa pela injustiça que o Filho de Deus sofreu. No entanto, para sermos justos, devemos reconhecer que cada pessoa que recebe o benefício do sacrifício de Cristo também deve assumir sua responsabilidade, pois os que já fomos perdoados sabemos que “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras.” (1Coríntios 15:3).