
🌾 A SEMENTE 478 (Terça-feira, 20/04/2021)Meditações no Evangelho de João (93): Eis o HomemLeitura Bíblica: João 19:1-5Jenuan S. Lira Atormentado entre a consciência e o desejo de agradar os homens, depois de ouvir que a multidão preferia Barrabás a Jesus, Pilatos entregou o SENHOR para ser torturado. Isso não significava uma sentença de morte, mas apenas uma manobra pela qual o governador romano tentava dissuadir o ímpeto assassino dos judeus e sabotar a própria consciência. Ilusoriamente, Pilatos procurava fazer justiça seguindo pelas veredas da injustiça. Os torturadores sabiam que uma das acusações contra o SENHOR era o fato de Ele se declarar rei. Assim, além da tortura física comum nesse tipo de castigo, os soldados intensificaram os sofrimentos do SENHOR, pondo na cabeça de Jesus uma coroa de espinhos que penetravam na Sua fronte, deixando Seu rosto completamente ensanguentado. E, para incrementar a zombaria, além da coroa de espinhos, os soldados vestiram Jesus com um manto púrpura, a fim de ridicularizarem sua realeza. Terminada a sessão de tortura, Pilatos sai para a área externa do pretório e diz à multidão: “Eis que eu vo-lo apresento, para que saibais que eu não acho nele crime algum”. Em seguida, ordena que Jesus seja trazido para fora e declara: “Eis o homem”. A frase “eis o homem”, que se eternizou na sua tradução latina “Ecce Homo”, tem sido objeto de muita reflexão, enquanto se procura entender o seu real significado. O que Pilatos estava querendo dizer com essas palavras? É provável que o governador romano estivesse apenas dizendo: “Aqui está o acusado”. Outra possiblidade é que Pilatos estivesse comunicando ironicamente: “Eis o vosso rei!” Há quem diga que a frase “eis o homem” foi proferida por Pilatos como um meio de despertar a compaixão dos judeus, ao verem O estado de humilhação e sofrimento em que Jesus se encontrava após a tortura. Nesse caso, Pilatos estaria tentando fazer os judeus desistirem da ideia da cruz, dizendo: “Olhem a situação deste pobre homem”. Apesar dessas possibilidades, se considerarmos a importância desse julgamento dentro do plano eterno de Deus, podemos dizer com segurança que, para o autor do quarto Evangelho, quando Pilatos proferiu a inesquecível frase “eis o homem”, estava inconscientemente fazendo uma alusão à profecia messiânica encontrada em Zacarias 6:12, que diz: “Assim diz o Senhor dos Exércitos: Eis aqui o homem cujo nome é Renovo”. Assim, uma vez mais, vemos a Escritura se cumprindo, e a verdade sobre o Filho de Deus sendo manifestada até por meio de lábios incrédulos. No livro do profeta Daniel, está escrito: “Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído” (Daniel 7:13-14). Nessa visão, Daniel contempla o futuro glorioso quando o Filho do Homem, Jesus Cristo, será exaltado pelo Pai à posição de Soberano do Universo, a fim de reinar gloriosa e eternamente sobre tudo e sobre todos. Essa visão lembra o que João diz acerca de Jesus em Apocalipse: “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém!” (Apocalipse 1:7). A frase “eis o homem”, sendo uma expressão de cumprimento profético, comunicou bem a verdade sobre o Messias na Sua humilhação. Contudo, em breve, até aqueles que O traspassaram irão vê-l’O em glória, não mais como o Servo sofredor, mas como o Soberano dos reis da Terra (cf. Apocalipse 1:4). Naquele momento, Jesus não será apresentado ao Universo com um simples “eis o homem”. A frase será modificada, e todos irão saudá-l’O dizendo: “Eis o Filho do Homem”. Infelizmente, para os que O traíram, condenaram e traspassaram o reencontro com o Filho do Homem será apenas de juízo, pois já terão perdido a oportunidade de salvação. Para eles, Jesus será reconhecido com Juiz, mas para os que, nesta vida, ouvem o Evangelho, se arrependem e confiam somente em Cristo como SENHOR, Salvador e Medidor, Jesus será recebido como Advogado. Portanto, aproveitando a longanimidade de SENHOR, sigamos o conselho do profeta Isaías: “Buscai o Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto” (Isaías 55:6).