
🌾 A SEMENTE 479 (Quinta-feira, 22/04/2021)Meditações no Evangelho de João (94): O Rei e o JuizLeitura Bíblica: João 19:1-11Jenuan S. Lira Nem mesmo em toda a eternidade, seremos capazes de sondar plenamente o significado de tudo o que aconteceu no julgamento de Jesus. Nossa mente humana é incapaz de desvendar os mistérios eternos que vieram à tona quando o Rei dos reis foi subjugado por Seus súditos, e o Juiz do Universo foi julgado pelo governador romano. Dentre todas as personagens humanas e espirituais que atuaram no evento do julgamento do SENHOR, Pilatos é a mais intrigante. Sendo o representante legal do Império Romano, coube-lhe a difícil tarefa de proferir o veredito que, humanamente, selaria o destino de Jesus. Pelo que podemos ler, Pilatos estava se debatendo em um ponto de confluência de forças poderosas visíveis e invisíveis sobre as quais ele não tinha nenhum controle. Desde a sua primeira audiência com Jesus, Pilatos fora impactado ao ouvir que Jesus era Rei de um reino diferente, cujo domínio extrapolava os limites deste mundo. O governador romano ficou bastante confuso quando Jesus confirmou que, embora sendo Rei, Sua realeza se afirmava “não por força nem por violência”, todavia mediante o poder irresistível da verdade. Depois de ter submetido o SENHOR à primeira sessão de tortura, Pilatos ficou sabendo que o motivo final pelo qual os judeus queriam a morte de Jesus era o pecado de blasfêmia, pois o SENHOR Jesus tinha se declarado Filho de Deus. Ao tomar conhecimento desse fato, Pilatos ficou ainda mais atemorizado, entrou no pretório e perguntou a Jesus: “De onde és tu?” E, para sua surpresa, Jesus lhe respondeu com um “sonoro” silêncio. Vendo que, nesse momento, estava deixando de ser juiz para se tornar réu, Pilatos resolveu retomar o controle da situação apelando para o autoritarismo. Para isso, advertiu o SENHOR com as seguintes palavras: “Não me respondes? Não sabes que tenho autoridade para te soltar e autoridade para te crucificar?” (João 19:10). Então, Jesus rompeu o silêncio e disse: “Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada; por isso, quem me entregou a ti maior pecado tem” (João 19:11). Se o silêncio do SENHOR torturou a consciência de Pilatos, muito maior foi seu desespero ao ouvir que a sua autoridade não vinha dele próprio nem do império que ele representava, mas "de cima”, isto é, de Deus. E, visto que Jesus se dizia Filho de Deus, fazendo-se, assim, igual ao Pai, Pilatos entendeu a mensagem: a autoridade que o governador romano exerce está debaixo da autoridade de Jesus. Tanto por Seu silêncio quanto por Sua fala, Jesus deixou claro que, em última análise, Ele não somente era o Rei dos reis, mas também o Juiz de todos os juízes. Como Ele mesmo disse pouco antes da Sua ascensão, a Ele fora dada “toda a autoridade no céu e na terra.” Infelizmente, Pilatos preferiu render-se à pressão dos homens e agir como se tivesse o controle da situação, e isso foi trágico. Não caiamos no erro de inverter os papéis. Jesus é o Rei e também o Juiz. Curvemo-nos, pois, diante d’Ele agora para que, no final, não tenhamos de sofrer Seu julgamento.