
🌾 A SEMENTE 491 (Quarta-feira, 12/05/2021)Meditações no Evangelho de João (106): A Verdadeira Visão da RessurreiçãoLeitura Bíblica: João 20:1-9 Sou natural de Icó, cidade localizada na Região Centro-Sul do Ceará. Favorecido pela proximidade geográfica, desde a infância fazia visitas à cidade de Juazeiro do Norte, onde se concentra a maior atividade comercial do sul do nosso estado. Apesar de muito pequeno naquela época, guardo viva memória das viagens, de quando, acompanhado do meu pai, chegávamos cedinho na região do Cariri. Muitas coisas me chamavam a atenção, mas, acima de tudo, impressionava-me a visão do horto do Padre Cícero. Ali, na parte mais alta de uma cadeia de montanhas, um político famoso tinha mandado erigir uma estátua daquele sacerdote e político cuja fama de milagreiro fez com que a cidade de Juazeiro do Norte se tornasse um dos maiores centros de romaria do nordeste. Inspirado nessa estátua, Luiz Gonzaga, famoso por seu acordeom e por sua crendice, compôs uma música em homenagem ao padre Cícero, cujo refrão dizia: “Vejam lá, no alto do horto. Ele está vivo; o padre não está morto.” Anos depois, tive o privilégio de morar em Juazeiro do Norte. Ali, recebi minha formação teológica no Seminário Batista do Cariri e iniciei minha carreira pastoral na antiga e amada Primeira Igreja Batista de Juazeiro. Nos doze anos em que vivi no Cariri, várias vezes visitei o horto, servindo de guia turístico para amigos que visitavam a cidade. Cada vez que olhava a estátua inerte, lembrava-me do equívoco na música de Luiz Gonzaga. A estátua não era prova de que o sacerdote estava vivo, ao contrário, apenas confirmava que o salmista estava certo ao descrever os ídolos, dizendo que eles “têm boca e não falam; têm olhos e não veem; têm ouvidos e não ouvem; têm nariz e não cheiram. Suas mãos não apalpam; seus pés não andam; som nenhum lhes sai da garganta” (Salmos 115:5-7). Além disso, a crença do cantor popular não batia com a realidade, pois, a poucos quilômetros da estátua, os peregrinos podiam visitar o túmulo do padre Cícero que, apesar dos milagres que alguns lhe atribuem, jamais se ouviu que ele tenha ressuscitado. Em João 19:30, o relato da crucificação atingiu o ápice quando Jesus proferiu o inesquecível “está consumado”. Apesar da riqueza de significados embutidos nessa expressão, de modo algum seu campo semântico nos permite interpretá-la com o sentido de que aquilo que as Escrituras dizem acerca de Jesus se encerrou no calvário. É por isso que João abre a história da ressurreição dizendo que a visita de Maria Madalena ao sepulcro foi no “primeiro dia da semana”, em vez de dizer que tinha sido no terceiro dia após a crucificação. A ressurreição de Jesus trazia para a humanidade uma novidade tão grande que até a forma de contar o tempo precisou ser atualizada. Qualquer pessoa que leia João 20:1-9 perceberá que o escritor está se esforçando para comunicar uma certeza: a ressurreição de Jesus, doutrina fundamental da fé cristã, foi atestada por testemunhas oculares, entre as quais se encontrava o próprio autor do quarto Evangelho. No universo da tradição popular, somos informados sobre milagres e prodígios, contudo nenhum deles tem, em seu favor, testemunhas oculares fidedignas. Para distanciar a fé cristã das meras crendices, João, narrando os eventos do domingo da ressurreição, em poucos versículos usa quatro vezes o verbo “ver”. Por esse meio, João procura nos dar certeza da ressurreição de Jesus, que, de modo nenhum, pode ser explicada como uma alucinação resultante das expectativas de Maria Madalena ou dos demais discípulos. Na realidade, tanto Maria Madalena quanto Pedro e João, ao chegarem ao sepulcro, ficaram surpresos com o sumiço do corpo. Maria Madalena chegou a dizer que o túmulo do SENHOR tinha sido violado e Seu corpo havia sido levado. Visto que o roubo de cadáveres era prática comum naquela época, é possível que ela estivesse pensando nisso quando disse a Pedro e a João: “Tiraram do sepulcro o Senhor, e não sabemos onde o puseram” (João 20:2). Alarmados com a notícia, os dois apóstolos foram pessoalmente ao túmulo. Só então, depois de verem os lençóis de linho no local onde deveria estar o corpo, eles creram. Do mesmo modo, aconteceu com Tomé, Pedro e João, que precisaram ver para crer que Jesus estava vivo. É uma pena que o genial artista popular Luiz Gonzaga, tendo fé na própria fé, olhava para uma estátua imóvel e para um túmulo ocupado e dizia: “Ele está vivo, o padre não está morto”. Essa fé desconectada da história em nada combina com o relato da ressurreição de Cristo. Ele, sim, está vivo, e Seu reino, sem poder político, sem armas e sem dinheiro continua avançando em toda a Terra. Por favor, jamais desconsidere as evidências da ressurreição de Cristo. Peça a Deus para abrir seu entendimento a fim de que você possa compreender as Escrituras. Nada pode ser mais importante do que isso para a vida de uma pessoa, pois a Bíblia diz: “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” (Romanos 10:9). Ele está vivo e, mais do que isso, Ele também disse acerca dos que creem n’Ele: “… porque eu vivo, vós também vivereis.” (João 14:19).