
Havia um tempo em que as luzes se apagavam. As necessidades do corpo biológico e do espírito se impunham aos demais ritmos. Dormir, comer, rezar. Suportava-se o tédio e o ficar. Não era preciso sempre ir, fazer ou comprar. Noite era diferente de dia e o domingo era bem diferente dos outros dias da semana. O público não se fundia com o privado. Sabia-se que o tempo era de jabuticaba e o verão não se misturava com o inverno. Esses grandes marcadores da vida social nos situavam e nos estruturavam internamente. Há muito, misturamos tudo. Apagamos os contornos e abolimos as interdições. Contudo, não podemos esquecer que nesse contexto volátil existem crianças e adolescentes que se sentem ansiosas e inseguras na ausência de estruturas e rotinas. A previsibilidade dá a elas segurança para se entender neste mundão. Que tenhamos, no mínimo, a hora de apagar as luzes.