
Trabalhei durante muitos anos na educação infantil e observava que as crianças que mais caíam, choravam e sofriam os tombos mais feios eram sempre aquelas mais protegidas que ingressavam na escola com inúmeras recomendações dos pais. As que mais adoeciam eram as que sempre estavam mais agasalhadas, mesmo em dias quentes. Durante um jogo, eram as que mais levavam boladas. Essas situações apontam para algo básico da educação – crianças precisam de experiências com desafios, obstáculos, inclinações e estímulos que mobilizem todos os sentidos. A boa intenção dos pais em tentar cercar e amaciar o caminho dos filhos serve para deixá-los mais e mais frágeis e vulneráveis, creio que quem ama não quer isso.