
Neste diálogo, converso com Júlio Pinhel, biólogo de formação, “lixiólogo de coração” e um dos criadores do Ciclo Limpo, iniciativa de Botucatu que transforma resíduos orgânicos em composto e, no processo, ajuda a transformar também nossa relação com aquilo que chamamos de lixo. A história do Júlio começa muito antes do Ciclo Limpo. Passa por uma república estudantil onde conheceu a compostagem, pelo trabalho com catadores, pela universidade, pelo poder público, por organizações ambientais e por uma sucessão de encontros que, olhando retrospectivamente, parecem formar uma trajetória bastante coerente. Falamos sobre resíduos, compostagem e economia circular, mas principalmente sobre algo que me interessa cada vez mais nestes Diálogos: Como uma pessoa vai se tornando aquilo que é. Ao contar sua própria história, Júlio revela como trabalho, família, escolhas e convicções foram deixando de ocupar compartimentos separados. Hoje, aquilo que ele acredita está presente no que faz profissionalmente, na maneira como vive e até no gesto aparentemente simples de sua filha pequena colocar uma casca de banana no balde de compostagem. Talvez seja justamente aí que apareça uma das ideias mais bonitas desta conversa: O impacto de uma vida não se mede apenas pelos grandes números que ela produz, mas também pelos comportamentos que se tornam naturais nas pessoas que convivem conosco. O lixo, neste diálogo, acaba sendo apenas a porta de entrada para uma conversa maior sobre integridade, pertencimento, responsabilidade e legado. E também sobre a importância de olhar para a própria biografia e perceber que aquilo que parecia uma sequência de acontecimentos talvez estivesse, silenciosamente, formando uma história. — GePeTo To hear more, visit maucuri.substack.com